Segunda-feira, 17 Agosto

Em Boca do Acre, no interior do Amazonas, a organização das barracas do tradicional Festival de Praia voltou a provocar questionamentos entre comerciantes e moradores. A denúncia foi repassada por Elizeu Kamura, morador do município, que afirma ter recebido relatos de barraqueiros insatisfeitos com o modelo adotado pela atual administração do prefeito Frank Barros (MDB).

A reclamação ocorre em torno de um dos principais eventos do calendário cultural e econômico do município. Em 2025, o Festival de Praia de Boca do Acre chegou à 27ª edição e foi apresentado pela própria divulgação institucional e pela imprensa local como uma iniciativa capaz de movimentar o comércio e gerar renda para moradores.

Festival de Praia de Boca do Acre

Da barraca de madeira às tendas de ferro

Segundo Elizeu Kamura, o modelo utilizado atualmente é diferente daquele adotado em administrações anteriores. Ele relata que, no passado, as barracas eram construídas pelos próprios comerciantes com madeira, lona e palha, enquanto a administração municipal fornecia parte do material.

“As barracas eram barracas tradicionais feitas de madeira, coberta de lona e coberta de palha”, relata.

De acordo com o morador, a atual estrutura passou a utilizar tendas metálicas cobertas por lona. Ele afirma que cada espaço custa R$ 2 mil ao barraqueiro e que a estrutura é compartilhada por duas pessoas, separadas por uma divisória de ferro.

A principal crítica, porém, não está apenas no preço. Elizeu questiona a resistência e a segurança das estruturas, especialmente diante das condições climáticas da região.

“Essas barracas trazem um perigo muito grande por elas serem o suporte de ferro”, afirma.

Ele diz temer que, durante um temporal, uma estrutura possa tombar e atingir comerciantes, crianças ou outras pessoas que estejam no local. Segundo o relato, alguns barraqueiros chegam a permanecer na praia durante aproximadamente um mês durante o período do festival, acompanhados de familiares.

Cobrança pesa sobre comerciantes

Outro ponto levantado na denúncia é o impacto financeiro sobre os barraqueiros.

Elizeu afirma que, no ano passado, alguns comerciantes não conseguiram sequer recuperar os R$ 2 mil cobrados pela estrutura. Para este ano, segundo ele, houve ainda uma forma de cobrança acumulada para quem possuía saldo pendente.

“Teve barraqueiro que teve que pagar mil e quinhentos para poder entrar, para ir trabalhar”, relata.

LEIA MAIS: Prefeito Frank Barros transforma hospital de Boca do Acre em cabide de empregos de Lábrea

O morador argumenta que o Festival de Praia representa, para muitas famílias, uma oportunidade importante de obter renda.

“Quantas famílias não esperam por esse dia, por esse momento para arrecadar um dinheiro, para colocar o pão em sua mesa?”, questiona.

Estrutura entregue às vésperas do evento

Segundo Elizeu, outro problema estaria relacionado ao prazo para preparação dos espaços. Ele afirma que os comerciantes receberiam as tendas apenas dois dias antes do evento, já cobertas, ficando responsáveis pela compra da madeira e pela instalação das laterais.

Na avaliação do denunciante, a medida aumenta os custos para quem já precisa desembolsar o valor cobrado pelo espaço.

“Como que esse povo vai tirar o lucro para pagar pelo menos o aluguel dessas barracas? Isso é inadmissível”, afirma.

Ele também questiona a exigência de padronização das barracas, argumentando que os comerciantes acabam tendo pouca liberdade para adaptar seus espaços às próprias necessidades.

Medo de retaliação

Um dos aspectos mais delicados do relato é a afirmação de que alguns comerciantes teriam receio de denunciar publicamente a situação por medo de perder o direito de participar do evento.

“Muitos barraqueiros têm vontade de falar, mas só falam em reuniões”, afirma Elizeu.

Segundo ele, os comerciantes evitariam gravar vídeos ou aparecer publicamente porque temeriam sofrer retaliações.

“Eles têm medo. Já eu não tenho”, diz.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Boca do Acre para falar sobre o caso, mas até a publicação desta reportagem não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

LEIA MAIS: Frank Barros é investigado em Boca do Acre por compra suspeita de R$ 1,7 MI em merenda