Sábado, 29 Agosto

Mesmo com mais de R$ 113 milhões em transferências federais registradas pelo Fundo Nacional de Saúde em 2026, a Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru, comandada pelo médico oftalmologista David Tayah, com aval da prefeita Valciléia Maciel, enfrenta uma série de questionamentos feitos por moradores e estudantes de Medicina sobre o funcionamento da rede pública.

Dados da Consulta de Pagamento Consolidado do Fundo Nacional de Saúde mostram que Manacapuru recebeu, em 2026, R$ 113.054.196,58 em repasses brutos para manutenção das ações e serviços públicos de saúde, sendo R$ 113.016.094,18 em valores líquidos após descontos.

Os recursos foram distribuídos entre diferentes áreas do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo R$ 56 milhões para Atenção Primária, mais de R$ 50 milhões para Média e Alta Complexidade, além de valores destinados à assistência farmacêutica, vigilância em saúde e gestão do SUS.

Apesar do volume de recursos, moradores relatam insatisfação com a qualidade dos serviços oferecidos na rede municipal. As críticas atingem a condução da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), atualmente sob responsabilidade de David Tayah, que assumiu o comando da pasta durante a gestão da prefeita Valciléia Maciel (MDB).

Reclamações sobre atendimento e estrutura

Nas redes sociais, moradores têm questionado a realidade encontrada nas unidades de saúde e no Hospital Geral de Manacapuru. Após uma publicação da prefeita Valciléia Maciel acompanhando atendimentos no hospital, internautas fizeram críticas e cobraram melhorias.

“Na hora que ela está aí no hospital é tudo mil maravilhas”, comentou uma usuária nas redes sociais.

Outro internauta questionou: “Não sei que sistema é esse que está ótimo”.

Também houve comentários cobrando maior presença da gestão municipal nas comunidades e nos bairros, com críticas direcionadas ao atendimento oferecido à população.

Problemas já eram apontados em 2025

As reclamações sobre a saúde municipal não são recentes. Em 2025, período em que David Tayah já estava à frente da Secretaria de Saúde, a área já enfrentava questionamentos públicos.

Em maio de 2025, o Sindicato dos Médicos do Estado do Amazonas (Simeam) divulgou uma denúncia envolvendo o Hospital Geral de Manacapuru Lázaro Reis. Segundo o sindicato, profissionais relataram dificuldades relacionadas à realização de exames básicos, incluindo o hemograma, exame considerado fundamental para avaliação de diversos quadros clínicos.

A entidade informou que buscaria encaminhar o caso aos órgãos de fiscalização competentes.

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UBS fechada e questionamentos sobre atendimento básico

Em 2026, moradores também passaram a denunciar problemas em unidades básicas de saúde. Um dos episódios citados envolve a UBS Santo Antônio, no bairro Terra Preta, onde uma moradora publicou um relato afirmando ter encontrado a unidade fechada durante horário em que deveria haver atendimento.

A denúncia gerou críticas nas redes sociais e levantou novos questionamentos sobre a organização da atenção básica no município.

Estudantes de Medicina relatam suspensão de internato

Outro episódio que aumentou a pressão sobre a Secretaria de Saúde foi o impasse envolvendo estudantes de Medicina da instituição Afya.

Acadêmicos afirmaram que foram impedidos de iniciar atividades de internato nas Unidades Básicas de Saúde do município após uma orientação atribuída à Secretaria Municipal de Saúde. Segundo os estudantes, a suspensão ocorreu pouco tempo depois de uma cerimônia que marcou o início das atividades e contou com a presença de autoridades municipais.

O internato é uma etapa obrigatória da formação médica, na qual os estudantes realizam atividades práticas supervisionadas dentro da rede de saúde.

Até o momento dos relatos divulgados, os alunos cobravam esclarecimentos sobre a decisão e a retomada das atividades.

Gestão é cobrada por explicações

A concentração de recursos recebidos pelo município e as reclamações apresentadas por usuários levantam um debate sobre a eficiência da aplicação dos investimentos na saúde pública.

O desafio da gestão comandada por David Tayah é responder aos questionamentos da população e demonstrar como os recursos destinados ao SUS estão sendo convertidos em melhorias concretas nos serviços oferecidos aos moradores de Manacapuru.

NOTA

Após a publicação da matéria, os advogados do secretário municipal de Saúde de Manacapuru, Dr. David Tayah, procuraram o Portal Alex Braga, no dia 20 de agosto de 2026, para solicitar direito de resposta e apresentar esclarecimentos a respeito das informações publicadas na reportagem.

Em respeito ao direito de resposta assegurado pela Lei nº 13.188/2015, o Portal Alex Braga publica, na íntegra, a manifestação encaminhada pela defesa:

NOTA DE ESCLARECIMENTO E DIREITO DE RESPOSTA

Em atenção à matéria intitulada “Com 113 MI em caixa, Valciléia Maciel e David  Tayah são denunciados por Saúde precária em Manacapuru”, publicada por este portal  em 07 de agosto de 2026, o Secretário Municipal de Saúde de Manacapuru, Dr. David  Tayah, no exercício do direito de resposta assegurado pela Lei nº 13.188/2015, presta à  população de Manacapuru e do Amazonas os seguintes esclarecimentos. 

A própria fonte invocada pela matéria — a Consulta de Pagamento Consolidado  do Fundo Nacional de Saúde — não é um extrato de saldo. É o registro dos repasses  efetuados ao Município ao longo do exercício. Ela informa quanto entrou; nada informa  sobre quanto permanece disponível, porque não é essa a sua função. 

Ler um demonstrativo de repasses e concluir que há “113 milhões em caixa”  equivale a somar os salários que uma pessoa recebeu no ano e afirmar que ela tem toda  essa quantia guardada no banco —desconsiderando que o dinheiro entrou para ser gasto  e foi gasto, mês a mês, com aquilo a que se destina. 

A matéria não identifica qualquer documento bancário, demonstrativo contábil ou  extrato financeiro que comprove a existência de R$ 113 milhões aos caixas da Prefeitura  ou mesmo da secretaria municipal de Saúde do Município de Manacapuru-AM. O único  documento mencionado consiste em relatório de repasses federais globais, que registra  ingressos financeiros acumulados ao longo do exercício e não o saldo disponível em  conta. 

Os repasses federais do SUS chegam ao Município em blocos de financiamento,  com destinação legalmente definida. Não são um fundo de livre aplicação: sua utilização  em finalidade diversa configura desvio de finalidade, sujeito a glosa, devolução e rejeição  de contas, nos termos da Lei Complementar nº 141/2012. 

Os valores citados pela matéria são precisamente o custeio da rede em  funcionamento. A parcela destinada à Atenção Primária remunera as equipes de Saúde  da Família, os agentes comunitários de saúde e o funcionamento das Unidades Básicas.  A parcela de Média e Alta Complexidade custeia o hospital, a maternidade, a policlínica,  os exames, as internações e os procedimentos. É folha de pagamento, medicamento,  insumo e manutenção — despesa contínua, que não pode ser interrompida e que  consome integralmente o recurso ao longo do ano. 

A matéria não ouviu profissionais que atuam na saúde municipal. Um deles,  contudo, manifestou-se publicamente, nos próprios canais deste portal. Trata-se do  enfermeiro Izac Rodrigues de Matos, com vinte anos de atuação em gestão de saúde  pública e médico, que assim expôs, em linguagem direta, o que a matéria não explicou  ao leitor, resumindo que a atuação do Dr. DAVID TAYAH é exemplar e que demostra que o  valor efetivamente recebido pela secretaria não supre as despesas básicas dos  profissionais já existente hoje para atender mais de 100 mil habitantes da cidade. 

“[…] o senhor está falando sobre recursos totais, mas os blocos financeiros são  utilizados em Programas, PAB fixo e variável, MAC, média e alta complexidade, folha de  pagamento dos funcionários e programas. Não temos Hospital Polo custeado pelo  Estado, porém, por ser Gestão Plena, assumimos o papel da regional com gastos.  Manacapuru hoje já tem mais de 100 mil habitantes e mesmo assim tem equipes até na  zona rural, exemplo Médicos, UBS Fluvial. Então, resumindo, o dinheiro que cai mensal,  mesmo assim, não cobre as despesas; é feita articulação em emendas, tanto federal  quanto estadual, com deputados. […] Fica aqui o convite […] para conhecer as melhorias  e ver a realidade de como se usa e administra uma saúde.” 

É a descrição de quem conhece a rede por dentro, e ela coincide integralmente  com o que os documentos oficiais demonstram. 

Três observações, feitas com respeito ao trabalho jornalístico e no interesse do  próprio leitor. 

Primeira: comentários anônimos publicados em redes sociais, por mais legítimo  que seja o sentimento que expressam, não são apuração. Nenhum dos casos  mencionados foi identificado, verificado ou submetido à Secretaria para resposta. Onde  houver falha concreta, a Secretaria quer conhecê-la, e existem canais formais — Ouvidoria do SUS e o Conselho Municipal de Saúde — precisamente para isso. 

Segunda: a matéria invoca denúncia sindical de maio de 2025 como se retratasse  a situação de agosto de 2026. Mais de um ano separa os dois momentos, e nenhuma  verificação atual foi apresentada ao leitor. A reprodução de comentários isolados de  redes sociais não permite concluir pela existência de falha sistêmica da rede municipal  de saúde sem a correspondente verificação factual 

Terceira: entre os indicadores de precariedade, a matéria repete a “suspensão do  internato de estudantes de Medicina”. Sete dias antes da publicação, em 31 de julho de  2026, o módulo de Atenção Primária à Saúde já havia sido formalmente autorizado por  ofício desta Secretaria, com período de atividades retroagindo a 22 de julho de 2026 e  cronograma até dezembro. O internato não estava suspenso na data em que a matéria o  afirmou. 

A saúde pública brasileira é subfinanciada, e Manacapuru não é exceção.  Reconhecer isso é diferente de atribuir a um gestor, sem prova, a retenção de recursos  que, na verdade, já foram integralmente aplicados no atendimento da população. É essa  diferença — entre o problema real e a acusação sem lastro — que esta nota busca  restabelecer perante os leitores. 

A presente manifestação não busca restringir a atividade jornalística nem o  debate público sobre a saúde municipal, mas apenas assegurar aos leitores acesso a  informações completas, atualizadas e documentalmente verificáveis, conforme garante  a Lei nº 13.188/2015.

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