Mesmo com mais de R$ 113 milhões em transferências federais registradas pelo Fundo Nacional de Saúde em 2026, a Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru, comandada pelo médico oftalmologista David Tayah, com aval da prefeita Valciléia Maciel, enfrenta uma série de questionamentos feitos por moradores e estudantes de Medicina sobre o funcionamento da rede pública.
Dados da Consulta de Pagamento Consolidado do Fundo Nacional de Saúde mostram que Manacapuru recebeu, em 2026, R$ 113.054.196,58 em repasses brutos para manutenção das ações e serviços públicos de saúde, sendo R$ 113.016.094,18 em valores líquidos após descontos.


Os recursos foram distribuídos entre diferentes áreas do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo R$ 56 milhões para Atenção Primária, mais de R$ 50 milhões para Média e Alta Complexidade, além de valores destinados à assistência farmacêutica, vigilância em saúde e gestão do SUS.
Apesar do volume de recursos, moradores relatam insatisfação com a qualidade dos serviços oferecidos na rede municipal. As críticas atingem a condução da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), atualmente sob responsabilidade de David Tayah, que assumiu o comando da pasta durante a gestão da prefeita Valciléia Maciel (MDB).
Reclamações sobre atendimento e estrutura
Nas redes sociais, moradores têm questionado a realidade encontrada nas unidades de saúde e no Hospital Geral de Manacapuru. Após uma publicação da prefeita Valciléia Maciel acompanhando atendimentos no hospital, internautas fizeram críticas e cobraram melhorias.
“Na hora que ela está aí no hospital é tudo mil maravilhas”, comentou uma usuária nas redes sociais.

Outro internauta questionou: “Não sei que sistema é esse que está ótimo”.

Também houve comentários cobrando maior presença da gestão municipal nas comunidades e nos bairros, com críticas direcionadas ao atendimento oferecido à população.
Problemas já eram apontados em 2025
As reclamações sobre a saúde municipal não são recentes. Em 2025, período em que David Tayah já estava à frente da Secretaria de Saúde, a área já enfrentava questionamentos públicos.
Em maio de 2025, o Sindicato dos Médicos do Estado do Amazonas (Simeam) divulgou uma denúncia envolvendo o Hospital Geral de Manacapuru Lázaro Reis. Segundo o sindicato, profissionais relataram dificuldades relacionadas à realização de exames básicos, incluindo o hemograma, exame considerado fundamental para avaliação de diversos quadros clínicos.

A entidade informou que buscaria encaminhar o caso aos órgãos de fiscalização competentes.
LEIA MAIS: Enquanto diz “só devo à Bemol”, Vacileia fecha UBS em Manacapuru
UBS fechada e questionamentos sobre atendimento básico
Em 2026, moradores também passaram a denunciar problemas em unidades básicas de saúde. Um dos episódios citados envolve a UBS Santo Antônio, no bairro Terra Preta, onde uma moradora publicou um relato afirmando ter encontrado a unidade fechada durante horário em que deveria haver atendimento.
A denúncia gerou críticas nas redes sociais e levantou novos questionamentos sobre a organização da atenção básica no município.
Estudantes de Medicina relatam suspensão de internato
Outro episódio que aumentou a pressão sobre a Secretaria de Saúde foi o impasse envolvendo estudantes de Medicina da instituição Afya.
Acadêmicos afirmaram que foram impedidos de iniciar atividades de internato nas Unidades Básicas de Saúde do município após uma orientação atribuída à Secretaria Municipal de Saúde. Segundo os estudantes, a suspensão ocorreu pouco tempo depois de uma cerimônia que marcou o início das atividades e contou com a presença de autoridades municipais.

O internato é uma etapa obrigatória da formação médica, na qual os estudantes realizam atividades práticas supervisionadas dentro da rede de saúde.
Até o momento dos relatos divulgados, os alunos cobravam esclarecimentos sobre a decisão e a retomada das atividades.
Gestão é cobrada por explicações
A concentração de recursos recebidos pelo município e as reclamações apresentadas por usuários levantam um debate sobre a eficiência da aplicação dos investimentos na saúde pública.
O desafio da gestão comandada por David Tayah é responder aos questionamentos da população e demonstrar como os recursos destinados ao SUS estão sendo convertidos em melhorias concretas nos serviços oferecidos aos moradores de Manacapuru.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com o secretário de saúde para falar sobre a situação mas até a publicação desta matéria não obtivemos repostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


LEIA MAIS: Secretário David Tayah é acusado por alunos de Medicina de impedir atendimento em UBSs de Manacapuru

