Quarta-feira, 24 Julho

Professores, motoristas, monitores e merendeiras que prestam serviço para a Prefeitura de Apuí estão aflitos e protestando, após descobrirem que o prefeito Marcos Lise não pagou os dias trabalhados do mês de maio, após chamar os aprovados em concurso. Até o quinto mês deste ano, nem as aulas na zona rural haviam começado, numa crise na Educação da cidade que inclui ônibus capotado, secretário preso, além de pais, estudantes e servidores em estado de desespero.

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A Prefeitura de Apuí chamou os professores para trabalhar em maio, após pressão de pais e alunos que estavam sem aula, mas não pagou os salários correspondentes até o dia 16 de junho. Ou seja, sem saber, educadores assinaram contrato e trabalharam um mês e meio “de graça”. Até hoje não foram remunerados por esses dias, apesar dos custos pessoais e da mão-de-obra empregada nas salas de aula.

“Que as contas dos nossos boletos aguentem mais um mês”

Enquanto os servidores postam desabafos por ocasião das contas atrasadas, em mensagem espalhada em grupos de WhatsApp, o secretário de Educação,  Cleves Pires, diz que tem ciência, mas tenta se livrar da culpa, citando que não teve como pagar retroativos, cadeira dobrada e hora extra por não ter recebido recursos do Governo Federal.

“Outra, o mês de junho a nossa folha teve um acréscimo muito grande. Alguns professores foram demitidos, e agente teve que fazer um acerto”, diz Cleves.

O titular da pasta há 8 anos no município ainda diz que o “sistema” de repasse do MEC não permitiu o pagamento, porém não explica porquê chamou os educadores para as escolas sabendo que não teria como pagá-los.

Nas escolas o clima é o pior possível. Sem pagamento, correndo contra o tempo depois de começar o ano letivo em maio, e pressionados por conta dos boletos atrasados, a reclamação dos educadores é geral.

“Ontem recebemos 1000 reais de pagamento. Mais de dois meses de trabalho”, reclama uma educadora. E tem mais servidores nessa bronca.

“Maioria dos funcionários da secretaria de Educação, não receberam os salários adequados. Por que? Vou citar um exemplo: Os motoristas categoria D. Começaram a trabalhar antes de assinar o termo de posse. Mas o sábio caiu a partir do dia em assinaram. Tem motoristas que estão trabalhando desde do final de maio, quando deram início às aulas no interior. E só receberam o salário equivalente à dias referente a data da posse. E os dias anteriores? Quem vai pagar?? Assim como esses motoristas também ocorrem funcionários como merendeiras, professores e monitores, que estão atuando nos interiores. Trabalhar podia antes de assinar a posse, agora receber não pode???

Nas redes sociais o prefeito Marcos Lise vende a imagem de normalidade e prepara o time para a campanha, mas na vida real da Secretaria de Educação a realidade é outra.

“Colocam o povo para trabalhar antes das posses e depois não pagam…Isso é verdade, tava com professor agora mesmo ele falou que a classe tá revoltado com essa situação”.

CRISE NA EDUCAÇÃO VEM SE ARRASTANDO EM 2024

A falta de pagamentos a professores é apenas mais um doloroso capítulo da crise na Educação instalada pela gestão Marcos Lise em Apuí. O Portal Alex Braga vem denunciando há meses os problemas com falta de aulas, transporte e até a prisão do secretário.

No dia 13 de junho, um ônibus com alunos da zona rural tombou. De acordo com informações dos moradores que conversaram com nossa equipe de reportagem, uma criança teve a clavícula fraturada e outra o pé cortado.

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No dia 10 de junho, o Portal Alex Braga recebeu denúncias de que crianças são obrigadas a sair de casa de madrugada e só retornam à noite, por conta das deficiência do transporte municipal.

Apesar do silêncio do prefeito Marcos Lise e do secretário de Educação Cleves Pires, um vídeo do veículo tombado, fotos e reclamações dos pais nas redes sociais contam a historia do acidente ocorrido após a saída do veículo da Viscinal Brasília, por volta das 5h.

“O motorista perdeu o controle e só por Deus não morreu ninguém”, diz uma testemunha do acidente.

SEM AULAS NA ZONA RURAL

Antes dos professores ficarem sem salário, os alunos ficaram sem aula. Escola Alto União, Escola Ulisses Guimarães, Escola Vilma Lemos, Escola Vila do Carmo e Escola Nova Vida. Todas essas unidades na zona rural de Apuí, no interior do Amazonas, ainda não abriram as portas em 2024 e nem têm previsão. Descumprindo o que determina a Constituição, que assegura a Educação com um direto fundamental, o prefeito Marcos Lise e o secretário Municipal Cleves Pires deixam pais a alunos sem um dos direitos fundamentais de todo brasileiro.

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Em vídeo publicado nas redes sociais, o próprio secretario ressaltou que todo estudante tem direito a 200 das letivos de aula, de acordo com as diretrizes do Ministério da Educação (MEC), mas deixou as escolas fechadas até maio.

“Infelizmente temos de seguir regras impostas pelo sistema”.

Edson Caetano, que mora no setor rural onde não há aulas em 2024, expressou revolta pela situação da Educação na cidade.

Prejuízo incalculável

As aulas não iniciaram nos polos Rio do Couro, KM 30, Coruja e comunidades ribeirinhas. Um professor consultado pela a reportagem confirma que “é humanamente impossível e até covarde forçar as crianças a cumprirem 200 dias letivos daqui até dezembro”.

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O Portal Alex Braga conversou com o secretário por telefone. “Sobre o início do ano letivo na zona rural, estamos aguardando os novos funcionários da Educação que passaram no último concurso a tomar posse. E nos próximos dias daremos início às aulas com calendário especial com reposição de aulas sem trazer prejuízos para os nosso alunos”, alega.