Quarta-feira, 29 Maio

Pré-candidato a prefeito de Manaus, o deputado federal Amom Mandel tem sido cobrado em suas próprias redes sociais sobre seu duplo comportamento. Ao mesmo tempo em que se diz defensor da democracia e da liberdade de expressão, processa jornalistas em Manaus que o criticam. Assim como diz que defende pautas ambientais, monta chapa com político que chama pesquisadores de “imbecis” e, mesmo dizendo abominar velhas práticas, repete, sem trégua, o hábito de começar e não terminar mandatos.

Ambientalismo seletivo

Sob a pressão do PSDB para que aceite um vice indicado pelo partido com quem o Cidadania está federado, o deputado Amom Mandel tem sido alvo de cobranças por se aliar ao senador Plínio Valério e ao mesmo tempo defender que a pauta ambiental não pode ser ideológica.

Em uma de suas mais recentes publicações, o parlamentar defende que “o meio ambiente não pode sem refém de ideologias”. Imediatamente foi retrucado por conta das parcerias.

Defensor da Amazônia que critica Chico Mendes

Senador que se denomina Plínio Valério disse que foi o responsável por convencer Amom a ser pré-candidato a prefeito. “Disse a ele que tenho idade para ser avô dele”.

Apesar de se autodenominar ativista climático, a aliança com o tucano, contrários às pautas ambientais defendidas por Amom, expõe a fragilidade do ativismo do pré-candidato e deputado federal.

Foto: Reprodução / Twitter @pliniovalerio

Presidente da CPI das ONGs no Senado, Plínio disse no começo do ano que a Amazônia é um lugar onde são criadas “grifes ambientais”, citando o ativista Chico Mendes como a maior dessas grifes que “nunca fizeram nada pela floresta”.

No Senado, Plínio ainda chamou os pesquisadores ambientalistas de “imbecis”, por, segundo ele, serem os responsáveis por não se asfaltar a BR-319.

Uma seguidora, diante da contradição. chegou a dar lição de moral no pré-candidato Amom sobre o tema:

Liberdade de imprensa, desde que não cite o nome dele

Semana passada o deputado fez uma postagem defendendo a liberdade de opinião. Citando uma matéria de um veículo local, disse não entender as razões do prefeito David Almeida de querer impedir que ele citasse o nome do adversário.

Na mesma linha, Amom disse que político que censura a imprensa não pode ser levado a sério.

De acordo com Amom, censurar a expressão de um cidadão é um absurdo. Mas foi justamente o que ele fez contra o jornalista Bryan Dolzane, processado após um pronunciamento crítico contra o parlamentar.

“Tudo porque ele se incomodou com as minhas críticas a ele nas minhas redes sociais. Críticas essas que nunca atentaram contra a sua honra. Você não encontra publicações minha usando palavras de baixo calão contra o deputado, falando da sua família ofendendo a sua honra ou de sua família. A minha crítica sempre é dentro da liberdade de expressão resguardada pela constituição federal. Eu tenho o direito constitucional de lhe criticar, de achar o seu trabalho ruim, essa e a minha opinião e o senhor não pode me censurar“, disse o jornalista.

Bryan Dolzane ainda acusou Mandel de constrangimento. “O senhor não pode constranger jornalistas e comunicadores porque o senhor não gosta do que nós falamos, do que nós pensamos a respeito do senhor. Que democracia é essa que o senhor acredita? O senhor está querendo me censurar e não vai me constranger com esse tipo de coisa. Porque o senhor está chateado, porque as pessoas estão lhe tachando de esquerdista? Isso não é problema meu, isso é culpa da sua atuação política“, completou.

De dois em dois anos, um novo mandato

Se tem algo que Amom não foge à regra dos políticos de carreira que ele tanto critica é a falta de compromisso em terminar mandatos. Foi assim ao ser eleito vereador, em 2020, e repete-se agora, dois anos após ser eleito deputado federal.

A prática de não terminar mandatos e concorrer a cargos superiores é uma marca do deputado federal, que agora tenta ser prefeito de Manaus, sem “esquentar o banco em Brasília”.

Na rede social dele, a prática é criticada por seguidores, que ficam sem resposta.

E, mesmo que tenha dito que não é candidato, dependendo do andamento, Amom pode mudar de opinião, como ocorre exatamente agora, quando esqueceu do vídeo que ele mesmo fez questão de produzir e compartilhar, negando candidatura.

Nada mais velho na política.