A saída de Wilson Lima do governo do Amazonas, no dia 5 de abril de 2026, para disputar uma vaga no Senado, abriu uma nova fase de críticas sobre o legado deixado na administração estadual. Entre denúncias na saúde, tensão em unidades de atendimento e pesquisas que indicam alta desaprovação, opositores e cidadãos apontam o que chamam de “herança maldita” na gestão pública.
Crise na Saúde: Briga no SPA Alvorada e denúncia no Ministério Público
O episódio mais recente ocorreu no SPA Alvorada, onde uma confusão entre paciente e segurança terminou em tumulto dentro da unidade de saúde. O caso, registrado em vídeo, mostrou tensão entre usuários e profissionais, em meio a relatos de demora no atendimento.
A situação se soma a um cenário mais amplo de denúncias na saúde pública.
O Ministério Público do Estado do Amazonas recebeu uma reclamação anônima relatando falta de medicamentos essenciais, como Eprex e suplemento de ferro, em unidades como a Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA). O caso envolve um paciente em diálise que estaria sem acesso regular ao tratamento.


A denúncia que chegou ao Ministério Público descreve uma realidade preocupante para pacientes que dependem do sistema público. Segundo o relato, a falta de medicamentos compromete tratamentos contínuos e coloca vidas em risco.
Uma filha de paciente procurou o órgão para denunciar a ausência de insumos básicos, reforçando a sensação de abandono na rede estadual de saúde. Embora a promotoria tenha indeferido a notícia de fato, o episódio expôs novamente fragilidades no abastecimento da rede pública.
Wilson Lima defende gestão, mas vídeo gera críticas
Antes de deixar o cargo, Wilson Lima publicou um vídeo nas redes sociais destacando investimentos e ações do governo.
Ele afirmou que enfrentou crises como pandemia, cheias e estiagens, e declarou:
“Investimos pesado na saúde, ampliamos leitos na capital, levamos UTIs ao interior e realizamos o maior pacote de investimentos da história do estado.”
No entanto, a publicação gerou forte reação nas redes sociais.
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Internautas contestaram o discurso:
“Não ganha nem para síndico de condomínio”

“E os salários dos médicos de SPA que estão atrasados já quase 7 meses? Saiu e não pagou nosso salário de outubro, novembro, dezembro….”

“Mais uma mentira, a última né…”

Segurança pública também sob pressão
A segurança pública, que o governo afirma ter recebido mais de R$ 1,16 bilhão em investimentos no programa Amazonas + Seguro, também é alvo de críticas.
Pesquisas de opinião indicam que a população não percebe melhorias significativas na área, com altos índices de avaliação negativa sobre criminalidade e sensação de insegurança.
No final do ano passado, um levantamento da Atlas/Intel aponta que Wilson Lima aparece entre os governadores com pior avaliação do país.
Segundo o estudo saúde e segurança são as áreas mais mal avaliadas. A maioria classifica a gestão como “ruim ou péssima”. A aprovação geral é uma das mais baixas do ranking nacional.


A saída de Wilson Lima do governo do Amazonas não encerra o debate sobre sua gestão. Pelo contrário, intensifica a disputa narrativa sobre avanços e falhas administrativas.
Enquanto ele usa as redes sociais para “mostrar” investimentos e programas sociais, críticas de profissionais da saúde, familiares de pacientes, levantamentos de opinião e episódios recentes em unidades públicas reforçam a imagem de um governo marcado por forte avaliações negativas em áreas essenciais.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a Cema para falar sobre a suposta falta de medicamentos, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


