Segunda-feira, 23 Março

O piloto Mauro Mattosinho foi às redes sociais neste domingo (22) e revelou pela primeira vez o organograma dos voos secretos que diz ter pilotado nos aviões de Beto Louco, apontado pela polícia como lavador de dinheiro do PCC. No vídeo, o piloto afirma categoricamente que um dos passageiros frequentes era o governador Wilson Lima. “Tava sempre por lá’.

De acordo com a denúncia de Mattosinho, esses voos levavam muito dinheiro. Epaminondas, dono do táxi aéreo, avisou Mattosinho que Antônio Rueda, presidente do União Brasil, partido de Wilson Lima, “estava cheio de dinheiro para gastar”, comprando o que Mattosinho diz ser uma grande quantidade de aviões.

Mattosinho afirma que a fartura de dinheiro vinha do banco BRB, banco investigada pela Polícia Federa por adquirir R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master, o maior escândalo financeiro da história do Brasil.

Ainda segundo Mattosinho diz no vídeo, o presidente do PP, Ciro Nogueira, se encontrou em agosto de 2024 com Beto Louco, “com uma sacola cheia de dinheiro”. Federado com o União Brasil o PP deve lançar Tadeu de Souza candidato a governador representando o grupo de Wilson Lima,

No vídeo, Mattosinho cita um encontro do senador Davi Alcolubre, presidente do Senado, momento em que cita uma viagem no ministro Dias Toffoli nos aviões pilotados por ele, citando em seguida a presença de Wilson Lima.

Veja o vídeo:

WILSON, O PASSAGEIRO SECRETO

Nas últimas semanas o Portal Alex Braga tem mostrado os prints da lista de passageiros nos aviões de Beto Louco com a presença de Wilson Lima. Viagens que, segundo as fontes, custam R$ 300 mil, dinheiro gasto só para levar e trazer o governador do Amazonas em deslocamentos secretos que não estão na agenda oficial do Chefe do Executivo.

Entenda revelações de Mattosinho sobre voos

Mauro Caputti Mattosinho, piloto que trabalhava na empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), revelou que transportava regularmente a dupla: Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco” e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados, pelo Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal, como chefes de um esquema criminoso do PCC.

Segundo as autoridades, o esquema envolve a gestão de fundos de investimentos na Faria Lima para lavagem de dinheiro do crime organizado e fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis.

Piloto Mauro Caputti Mattosinho (Foto: Reprodução)

O inicio

Em 2025, Mauro Mattosinho denunciou que Antônio Rueda, presidente do União Brasil, está entre os verdadeiros donos de quatro dos dez jatos executivos operados pela empresa de táxi aéreo. Mattosinho denunciou, ainda, ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP.

Mattosinho relatou a sua rotina após a PF deflagrar a Operação Carbono Oculto, que teve como alvos Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. “Quando a operação Carbono Oculto é deflagrada, eu tinha ido, no dia anterior, para Punta Del Leste, no Uruguai, com a família do Roberto (Beto Louco)”, disse o piloto.

Confira o vídeo

Quem é Beto Louco e o Primo?

Mohamad Primo (esquerda) e Beto Louco (direita) – Foto: Reprodução

Conhecidos como “Beto Louco” e “Primo”, os empresários Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, respectivamente, são apontados como elementos centrais do esquema bilionário comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A infiltração do crime organizado na economia formal foi revelado no ano passado na megaoperação deflagrada por vários órgãos em cooperação em dez Estados.

Considerada a maior operação do tipo contra o crime organizado na história do País, a ação mirou envolvidos no domínio de toda a cadeia produtiva da área de combustíveis, incluindo usinas, fabricação e refino, distribuidoras, transportadoras, fintechs, e redes de postos de combustível.

A Receita Federal estima que a organização criminosa movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Os auditores detectaram irregularidades em mais de mil postos de combustíveis.

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