Quarta-feira, 2 Setembro

A Prefeitura de Anamã, sob a gestão da prefeita Kátia Dantas (MDB), homologou uma licitação de R$ 4.906.205,20 para a eventual compra de gêneros alimentícios destinados às necessidades da administração municipal. Entre os produtos previstos estão 18 mil pacotes de leite em pó, 8 mil unidades de achocolatado em pó, 2,5 mil unidades de leite condensado e 16 mil unidades de iogurte. Os documentos publicados, porém, não detalham para quais setores, programas ou públicos esses alimentos serão destinados.

O valor consta no resultado do Pregão Eletrônico nº 024/2026, realizado pelo Município de Anamã por meio do sistema de registro de preços. A contratação teve valor estimado inicialmente em R$ 5.969.559,70 e terminou com R$ 4.906.205,20 homologados pela prefeita Kátia Dantas em 27 de agosto de 2026.

A maior fatia da contratação ficou com a empresa M C Comércio Varejista de Produtos Alimentícios Ltda., que recebeu a adjudicação de R$ 3.468.792,00. Outras três empresas também foram declaradas vencedoras: L. Eduardo Cezar Oliveira Correa, com R$ 987.907,00; RSM Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., com R$ 346.308,00; e J. G. da Mata Ltda., com R$ 103.198,20.

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De arroz e carne a leite condensado e achocolatado

A lista de produtos é extensa e reúne alimentos básicos, como arroz, feijão, farinha, carne, frango, macarrão e leite em pó, mas também inclui itens que chamam atenção pelo caráter menos essencial para uma compra destinada genericamente às “necessidades da Prefeitura”.

Entre eles estão 8 mil unidades de achocolatado em pó, ao custo total previsto de R$ 98.400,00, além de 2,5 mil unidades de leite condensado, que representam R$ 23.875,00.

Também foram incluídos 16 mil iogurtes de 180 gramas, com valor total de R$ 137.600,00. A relação contempla ainda creme de leite, maionese, biscoitos, bolachas, coco ralado, farinha láctea, leite de coco e outros produtos.

O edital prevê a compra de achocolatado em pó solúvel, em embalagens de 400 gramas.

A presença desses produtos não significa, por si só, que a aquisição seja ilegal ou irregular. O ponto que chama atenção é outro, o município não apresenta, nos documentos fornecidos, uma explicação detalhada sobre a finalidade, os setores beneficiados ou o público que consumirá esses alimentos.

Prefeitura fala em “necessidades” sem especificar quais

O objeto da licitação é descrito de maneira ampla como a “eventual aquisição de gêneros alimentícios para atender as necessidades da Prefeitura Municipal de Anamã”.

A expressão, entretanto, não esclarece onde os produtos serão utilizados.

Não fica especificado, por exemplo, se o leite condensado, o achocolatado, os iogurtes, biscoitos e demais alimentos serão destinados a servidores, eventos oficiais, unidades administrativas, programas sociais, ações de saúde, educação ou outra finalidade pública.

Essa falta de detalhamento ganha relevância diante do tamanho da contratação, são mais de R$ 4,9 milhões em preços homologados e uma ata com vigência de 12 meses.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura para falar sobre o contrato, mas até o fechamento desta edição não obtivemos repostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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