Sexta-feira, 7 Agosto

Moradores e uma professora denunciaram, por meio de vídeos divulgados nas redes sociais, as condições precárias das escolas municipais São José, na comunidade Curupaíti, e São Francisco, no Rio Jacurapá, em São Paulo de Olivença. Os relatos apontam problemas como falta de banheiros em funcionamento, estrutura de madeira deteriorada e necessidade de manutenção urgente.

As denúncias ocorrem durante a gestão do prefeito Nazareno Souza Martins, o “Gibe” (União Brasil), que em 2026 homologou contratos que somam R$ 3.901.415,18 para reformas e ampliações de cinco unidades escolares do município. Apesar dos contratos firmados, as escolas São José e São Francisco, citadas nas denúncias, não aparecem entre as unidades contempladas nas obras divulgadas pela Prefeitura.

Escola Municipal São José

Na Escola Municipal São José, localizada na comunidade Curupaíti, moradores afirmam que os estudantes estão sendo obrigados a utilizar uma área de mata para fazer necessidades fisiológicas, devido à falta de banheiros adequados.

“Os alunos precisam fazer as necessidades deles. Eles vão no mato, arriscando a vida, correndo risco de pisar em uma cobra ou outro bicho do mato, porque sempre fica dando onça aqui por trás. Essas crianças estão correndo muito risco. Estamos precisando muito de uma ajuda do prefeito, que faça o favor de ajudar”, afirmou uma moradora.

Outro morador também denunciou problemas na estrutura física da escola.

“Os tubos aqui caíram do teto da escola, estão todos arrancados. Precisamos que o prefeito ajude, que o senhor olhe por nós e realize o nosso sonho de ter a escola reformada, porque ela está toda podre”, declarou.

Imagens divulgadas mostram a área de mata utilizada pelos alunos e a estrutura de madeira da unidade com sinais de deterioração.

Escola Municipal São Francisco

Na Escola Municipal São Francisco, localizada no Rio Jacurapá, funcionários relatam problemas na parte hidráulica e afirmam que os banheiros não estão funcionando adequadamente, causando transtornos para alunos e servidores.

Em vídeo, uma professora faz um pedido de manutenção.

“Eu sou funcionária da Escola São Francisco e queria pedir que reforme esse banheiro. A escola tem essas crianças”, afirmou.

Nas imagens, ela mostra a situação do banheiro infantil, com problemas hidráulicos, além da estrutura de madeira da escola apresentando desgaste.

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Contratos de quase R$ 4 milhões

Conforme documentos oficiais de contratação, a Prefeitura de São Paulo de Olivença homologou, ao longo de 2026, contratos para reforma e ampliação de cinco escolas municipais, totalizando R$ 3.901.415,18.

Entre as obras contratadas estão:

  • Escola Municipal Indígena Kambeba Kanata Kana Icua, na comunidade São Tomás — reforma da unidade escolar.
    Valor contratado: R$ 318.941,13.
    Empresa responsável: STERN LTDA, CNPJ nº 18.182.013/0001-94.
  • Escola Municipal Indígena Ticuna Guatunaru Tarauacu, na comunidade Novo Nínive — reforma e ampliação da unidade escolar.
    Valor contratado: R$ 1.218.623,71.
    Empresa responsável: STERN LTDA, CNPJ nº 18.182.013/0001-94.
  • Escola Municipal Indígena Tikuna Moruãpu II, na comunidade Campo Alegre — reforma e ampliação da escola.
    Valor contratado: R$ 1.110.365,78.
    Empresa responsável: A Magalhães Rocha LTDA, CNPJ nº 61.747.057/0001-43.
  • Escola Municipal Indígena Tikuna Eruãpu Ru Metatucu, na comunidade Novo Paraíso — reforma e ampliação da unidade escolar.
    Valor contratado: R$ 943.138,61.
    Empresa responsável: Singolare Construções LTDA, CNPJ nº 37.660.242/0001-11.
  • Escola Municipal Indígena Waynambi, na comunidade São Raimundo do Universo — reforma da unidade escolar.
    Valor contratado: R$ 310.345,95.
    Empresa responsável: H L Ramires, CNPJ nº 64.233.918/0001-63.

Além desses contratos de 2026, a Prefeitura também possui contratos anteriores relacionados a obras educacionais, incluindo construção e reformas de outras unidades, com valores superiores aos contratos recentes.

Internautas cobram providências da gestão municipal

As denúncias repercutiram nas redes sociais e geraram cobranças por parte de internautas, que pediram atenção do poder público para as condições das escolas.

“Autoridades, olhem por eles. Muitas pessoas dependem apenas das políticas públicas e os governantes não podem falhar”, comentou um internauta.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de São Paulo de Olivença para falar sobre o caso, mas não obtivemos respostas até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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