Moradores do município de Codajás, no interior do Amazonas, denunciam que uma obra de revitalização e ampliação do sistema de abastecimento de água, contratada pelo Governo do Amazonas durante a gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), não teria entregue o resultado esperado à população. O contrato CT-00030/2022-SEINFRA prevê investimentos que chegam a R$ 29.099.589,67, somando o valor original de R$ 23.496.791,63 e um aditivo de R$ 5.602.798,04.
De acordo com os dados financeiros da obra, o valor medido chega a R$ 16.730.977,00, enquanto a execução física registrada é de aproximadamente 51,50%. O contrato, firmado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura do Amazonas (Seinfra), tem como objetivo a revitalização e ampliação do Sistema de Abastecimento de Água (SAA) da sede de Codajás, com previsão de atender bairros como Nova Conquista, Bela Vista, Viver Melhor, Grande Vitória, Laguinho, Peti, Badajós e Centro.
Apesar dos anúncios oficiais de investimento, moradores afirmam que a realidade nos bairros ainda é de falta de água tratada. Segundo relatos, algumas famílias continuam dependendo de poços artesianos particulares e precisam pagar taxas para conseguir água.
Vídeo expõe situação
Um vídeo divulgado nas redes sociais pelo morador William Alexandre, de Codajás, mostra imagens de locais onde deveriam estar sendo realizadas intervenções da obra. Na gravação, ele percorre áreas dos bairros Nova Conquista e Bela Vista, aponta estruturas abandonadas, vegetação crescendo no local e questiona a ausência de trabalhadores.
“Mais uma obra fantasma da administração do antigo ex-governador Wilson Lima. Tiraram até a placa daqui, mas são milhões investidos em Codajás. Aqui é o bairro Nova Conquista, e os moradores não têm água tratada e nem saneamento básico”, afirmou o morador no vídeo.
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Durante a gravação, William também relata que moradores precisam buscar alternativas para conseguir água.
“Os moradores que quiserem água pegam do poço artesiano e pagam uma taxa de R$ 50. São milhões investidos em Codajás para nada, só para enganar a população”, declarou.
Em outro trecho do vídeo, o morador mostra uma placa relacionada à obra no bairro Bela Vista e questiona mudanças nas informações apresentadas.
“Eu vou mostrar a mesma placa no bairro Bela Vista. Eles até mudaram a data. Esse pessoal não tem água nenhuma, eles usam a água do poço artesiano, têm que pagar. São milhões praticamente nessas caixas e até trocaram a data aqui. Agora mudaram para 2027”, disse.
O morador também questionou o ritmo dos serviços no local.
“Veja se alguém está trabalhando aqui. Tudo parado. Olha essa areia aqui, criou mato porque não tem ninguém trabalhando. Isso é desperdício de dinheiro público”, afirmou.
Ao final da publicação, William fez um alerta aos moradores sobre a importância de acompanhar investimentos públicos e cobrar resultados.
“Codajás tem que aprender, principalmente agora por causa das eleições, porque isso vai definir seu dia a dia: se você vai ter água em casa ou se vai continuar pagando uma taxa do seu vizinho que tem poço artesiano”, declarou.
Após a publicação, um internauta comentou sobre o cenário político e a necessidade de avaliação dos serviços entregues à população.
“Já vem eleição novamente e a nossa única arma é na eleição. Vamos analisar bem”, escreveu.
Codajás não foi o único município a reclamar de problemas no abastecimento durante gestão Wilson Lima
As reclamações sobre abastecimento de água no interior do Amazonas não ficaram restritas a Codajás. Em Anamã, moradores também denunciaram problemas relacionados à qualidade da água distribuída à população após investimentos anunciados pelo Governo do Amazonas durante a gestão de Wilson Lima.
O município recebeu ações do chamado Projeto Água Boa, lançado em 2019 pelo então governador, com promessa de ampliar o acesso à água potável nas comunidades do interior. O programa teve investimento anunciado de aproximadamente R$ 8 milhões para aquisição de sistemas de tratamento de água.
A proposta era levar equipamentos capazes de melhorar a qualidade da água consumida pelos moradores. Porém, anos depois, moradores de Anamã afirmaram que a água voltou a apresentar problemas, chegando às torneiras com coloração alterada, odor metálico e presença de sedimentos.
“Essa é a água que chega nas nossas casas. Isso é inadmissível. Nós, moradores, vamos lutar pelo nosso direito à água potável, pois isso está na Constituição Federal. Temos direito à saúde, e beber essa água prejudica nossa saúde”, relatou uma moradora.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a Seinfra questionando a situação, mas até a publicação, nenhum retorno nos foi dado. O espaço continua aberto para esclarecimentos.
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