Quinta-feira, 29 Janeiro

A Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), do governo Wilson Lima (União), gastou mais de R$ 149 milhões alegando a execução de obra e serviço de engenharia para recuperação da rodovia Codajás – Anori e do Ramal Mato Grosso no interior do Estado.

O despacho de homologação e adjudicação ocorreu em favor da Construtora Pomar S/a., e foi assinado pelo secretário da Seinfra, Carlos Henrique Lima. O contrato n° 008/2023 firmado em julho de 2023 teve o valor global de R$ 149.724.894,82 com vigência de 660 dias, ou seja, a obra era para durar 1 ano, 9 meses e 25 dias.

Confira o extrato de contrato

Vale ressaltar que, segundo denunciantes essa obra se quer foi iniciada. A única coisa feita pela administração foi colocar uma placa informativa do valor da recuperação da rodovia, o nome da construtora e a vigência. Outro ponto que chama atenção, essa obra era para ter sido entregue e inaugurada no dia 06 de janeiro deste ano.

Confira a imagem

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Obra milionária e aditivos infinitos

O Núcleo Investigativo do Portal Alex Braga (PAB), buscou no Diário Oficial do Estado (DOE) e Portal da Transparência por mais informações a respeito dessa licitação.

De acordo com documentos oficiais, o contrato n° 008/2023 recebeu em junho de 2024 o 1° Termo Aditivo, para prorrogação da vigência por mais 60 dias. Confira abaixo o documento.


Em julho do ano passado, a Seinfra realizou o 2° Termo Aditivo, prorrogando por mais 180 dias o contrato com a Construtora Pomar S/a.

Veja

Quatro meses depois, em 23 de dezembro, a Seinfra prorrogou pela terceira vez com a Construtora Pomar. Desta vez, alegando que a vigência será de 300 dias, ou seja, a obra será finalizada somente daqui a quase 1 ano.

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Denúncia revela que obra está entregue as lamas

Vídeos publicados nas redes sociais do ativista ambiental e articulador de projetos sustentáveis Matheus Garcia, mostra que os R$ 149 milhões para a recuperação da rodovia Anori – Codajás e o Ramal do Mato Grosso desapareceram e o que restou para a população foi muita lama e descaso.

Confira o vídeo

Segundo dados oficiais, 56 mil habitantes são prejudicados dia a pós dia com a falta de infraestrutura básica, e a esperança de que o governador Wilson Lima vá entregar essa obra.

Confira o vídeo a seguir

A estrada é a principal rota para quem precisa trabalhar, estudar, acessar serviços básicos de saúde e escoar a produção rural. Durante o inverno amazônico, o trajeto se transforma em um verdadeiro atoleiro, colocando em risco vidas e comprometendo a economia local.

A denúncia, reacende o debate sobre infraestrutura, abandono histórico e a urgência de ações concretas para garantir desenvolvimento real aos municípios do interior do Amazonas.

Confira as imagens

Foto: Alessandro Araújo
Foto: Alessandro Araújo
Foto: Alessandro Araújo
Foto: Alessandro Araújo

Nossa equipe de reportagem falou com Matheus Garcia que ainda está em visita nos município, Garcia revelou que “Prometeram 149 milhões para pavimentar a estrada que liga Anori – Codajás e Matogrosso (distrito rural de Anamã). Prometeram o desenvolvimento para a população, dignidade, progresso. O governador foi até a cidade, tem vídeo dele lá com o maquinário, com pessoas da própria terra, dizendo que agora ia acontecer. E a realidade que eu vi foi totalmente contrária, foi barro, foi lama, foram máquinas inexistentes ali. E uma placa enferrujada na beira da estrada ainda sinalizando que tinha máquina para ter cuidado. Até irônico, né? E são de três municípios que a gente está falando, são mais de 56 mil pessoas que dependem dessa estrada para trabalhar, para estudar, para escoar a produção e para viver com dignidade”, relatou o ativista.

Ainda segundo informações repassadas, agricultores levam mais de 7 a 8 horas para realizarem um serviço que se a estrada estivesse pronta, duraria apenas 2 horas.

“Quem produz açaí, quem vive do agro ali em Anori, quem sai de casa ainda de madrugada, continua enfrentando horas de sofrimento. Eu questionei um senhor sobre a quantidade de tempo que ele demora, que ele gasta do dia dele para chegar de Anori até Mato Grosso, que são mais ou menos 24 quilômetros. Ele me respondeu que demora três horas para cruzar 24 quilômetros e três horas para voltar. Fora a hora que ele está abastecendo o caminhão lá, está colocando açaí para dentro do caminhão. Então são praticamente de sete a oito horas que ele gasta numa via que são apenas 24 quilômetros, que ele poderia fazer meia hora para ir, meia hora para voltar e uma hora para o abastecimento local. Olha o tempo de vida que ele está desprendendo ali”, informou Garcia.

Onde foi parar os R$ 149 milhões?

Continuou a indagação do ativista ambiental: “Depois de anos da promessa dessa estrada, me gerou essa pergunta, que é bem direta. Cadê esse asfalto? Ou melhor, cadê esse dinheiro? Ou cadê a fiscalização? O Amazonas ele não pode continuar sendo lembrado só de terra de promessa vazia”, finalizou.

Ouça o relato aqui

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Dados da empresa contratada

A empresa com a razão social Construtora Pomar S/a, tem o nome fantasia Construtora Pomar, opera com o CNPJ 12.675.374/0001-96 e foi fundada em 2010. O endereço de sua sede está localizada na Avenida Torquato Tapajós, 16833 – Tarumã-Açu, Manaus. Sua atividade principal é de Serviços de engenharia.

A empresa possui capital social de R$ 20 milhões e pertence aos empresário Clovis Ferreira da Cruz Junior e Agnaldo Alves Monteiro.

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