A prisão da ex-primeira-dama do Amazonas Nejmi Aziz, esposa do senador Omar Aziz (PSD), o bloqueio de cerca de R$ 92,5 milhões em bens e contas bancárias e uma batalha judicial que se arrasta por anos transformaram a Operação Vertex em um dos capítulos mais conhecidos da Operação Maus Caminhos. Sete anos depois, o processo ainda segue em tramitação na Justiça, sem desfecho definitivo.
O Portal Alex Braga inicia uma série especial para relembrar os principais fatos, personagens e desdobramentos da Operação Vertex. Nesta primeira reportagem, o foco é a prisão de Nejmi Aziz, as suspeitas que motivaram a operação e os caminhos percorridos pelo caso na Justiça desde então.

Deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2019, a operação teve como alvos pessoas ligadas ao grupo familiar e empresarial de Omar Aziz, além de empresas e investigados apontados pelas autoridades como beneficiários de recursos supostamente desviados da área da saúde pública do Amazonas.
Participação de Nejmi Aziz e o motivo da prisão
Nejmi Aziz, ex-vice-presidente estadual do PSD e figura conhecida na política amazonense, foi citada em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo operações imobiliárias e movimentações empresariais que passaram a ser analisadas pelos investigadores.
Sua prisão temporária foi solicitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal sob suspeita de recebimento de valores supostamente vinculados ao esquema investigado na Operação Maus Caminhos.
Boletos apreendidos durante a investigação apontariam pagamentos à ENE Empreendimentos e Participações, empresa da qual Nejmi Aziz era sócia administradora. Segundo os investigadores, os repasses teriam sido realizados por empresas que estavam sob investigação, entre elas Salvare e Total Saúde.


De acordo com o Ministério Público Federal, parte das movimentações financeiras analisadas não possuía comprovação documental de serviços efetivamente prestados. Também foram apontadas operações imobiliárias consideradas suspeitas e aquisição de bens que, segundo os investigadores, seriam incompatíveis com a movimentação financeira declarada.
Com base nesses elementos, a Justiça autorizou a prisão temporária de cinco dias de Nejmi, prorrogáveis por mais cinco.
Idas e vindas judiciais: prisão, soltura e revés

A prisão ocorreu em julho de 2019. Pouco depois, Nejmi Aziz chegou a obter uma decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas a medida foi posteriormente revista, resultando em nova ordem de prisão.
Ela permaneceu sob custódia dentro do período previsto para a prisão temporária. Nejmi chegou a passar duas noites na cadeia.
Bloqueios milionários e suspeitas de contratos simulados
No mesmo conjunto de medidas determinadas pela Operação Vertex, a Justiça Federal autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 92,5 milhões em bens, imóveis, veículos, contas bancárias e aplicações financeiras de investigados e empresas citadas nas apurações.
A Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão em Manaus e Brasília.

As investigações apontavam a existência de contratos supostamente simulados ou superfaturados, além da utilização de dinheiro em espécie e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada pelos investigados.
Embora o então ex-governador Omar Aziz não tenha sido denunciado na fase da Operação Vertex, seu nome apareceu ao longo das investigações, sempre acompanhado de manifestações públicas negando qualquer participação em irregularidades.
A disputa judicial sobre os bloqueios
Os bloqueios e sequestros de bens decretados em 2019 deram origem a uma extensa batalha judicial que se arrastou por anos.
A decisão que determinou a indisponibilidade patrimonial dos investigados foi contestada por meio da Apelação Criminal nº 1016787-61.2019.4.01.3200, apresentada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Entre os recorrentes estavam Omar José Abdel Aziz, Nejmi Jomaa Abdel Aziz, Amin Abdel Aziz Neto, Johara Jomaa Abdel Aziz, além das empresas ENE Empreendimentos e Participações Ltda., JEEN Empreendimentos e Participações Ltda. e Y.A. Empreendimentos e Participações Ltda.

Os recursos questionavam principalmente a manutenção dos bloqueios, alegando excesso de constrição patrimonial, ausência de individualização de condutas e prolongamento das medidas cautelares.
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O processo teve origem no procedimento nº 0008297-67.2019.4.01.3200, que tramitava na Justiça Federal do Amazonas e foi instaurado no contexto da Operação Vertex, considerada a quinta fase ou desdobramento da Operação Maus Caminhos.

Durante a tramitação, o recurso passou por sucessivas redistribuições dentro do próprio TRF-1 em razão de discussões sobre prevenção, competência e reorganização interna das turmas julgadoras da Corte.
A mudança de competência
A principal reviravolta ocorreu em 2025.
Em decisão proferida em 1º de novembro daquele ano, a desembargadora federal Solange Salgado da Silva entendeu que a Justiça Federal não deveria continuar julgando os recursos relacionados à Operação Vertex.
A decisão foi fundamentada em discussões travadas nos tribunais superiores sobre a competência para julgar os processos oriundos da Operação Maus Caminhos e seus desdobramentos.
Segundo o entendimento adotado, os fatos investigados deveriam ser analisados pela Justiça Estadual do Amazonas, razão pela qual foi determinada a remessa dos recursos ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Posteriormente, em 23 de novembro de 2025, a movimentação processual registrou que os autos foram remetidos ao juízo de origem após o julgamento definitivo do recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), encerrando a fase de análise da apelação no tribunal e fazendo com que o processo retornasse à primeira instância para continuidade das medidas cabíveis.
Na prática, a decisão representou uma das mais importantes mudanças processuais envolvendo a Operação Vertex desde sua deflagração, transferindo para a esfera estadual a continuidade das discussões relacionadas aos bloqueios patrimoniais determinados durante a investigação.
Um capítulo ainda em aberto

Mesmo após anos de tramitação judicial, os desdobramentos da Operação Vertex continuam produzindo efeitos jurídicos e políticos.
As discussões sobre a legalidade dos bloqueios, a competência para julgamento dos fatos e a responsabilização dos investigados atravessaram diferentes instâncias do Judiciário e ainda permanecem como tema de interesse público no Amazonas.
Sete anos após a operação, o caso segue sendo lembrado como um dos episódios mais emblemáticos das investigações envolvendo recursos públicos da saúde estadual e continua repercutindo no cenário político amazonense.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato Nejmi Aziz para falar sobre o caso bem como o Ministério Publico Federal, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


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