A moradora de Manacapuru Stefany Brito usou as redes sociais para denunciar o que classificou como descaso no atendimento prestado pelo Hospital Geral do município. Em um vídeo publicado no dia 14 de maio, a mãe relatou a situação enfrentada ao buscar assistência médica para a filha de apenas seis meses, que apresentava febre alta e episódios frequentes de vômito.
Recentemente, o Núcleo de Jornalismo Investigativo do Portal do Alex Braga (PAB) fez uma matéria onde constatou que, quatro anos após o anúncio da construção do Hospital Regional de Manacapuru, a obra segue paralisada e sem atender a população do município.

Relato
Segundo Stefany, a criança estava há três dias vomitando e, no dia em que procurou a unidade hospitalar, passou a apresentar febre de 38,6°C. No vídeo, a mãe afirmou que decidiu levar a filha ao hospital por considerar o quadro preocupante e criticou a demora e a forma como o atendimento teria sido conduzido.
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Durante o desabafo, Stefany declarou que os profissionais de saúde demonstraram falta de empatia diante da situação da criança. Em tom de indignação, ela relatou que muitos moradores evitam procurar atendimento médico na unidade devido à insatisfação com os serviços prestados.
“Quem conhece a minha filha sabe que ela é uma criança ativa e sorridente. Eu não posso simplesmente esperar algo pior acontecer enquanto ela está ardendo em febre”, afirmou no vídeo.
A moradora também direcionou críticas à administração municipal, alegando que a saúde pública de Manacapuru vem enfrentando um processo de deterioração sem que medidas efetivas sejam adotadas para resolver os problemas apontados pela população. Segundo ela, os relatos de insatisfação com os serviços de saúde têm se tornado cada vez mais frequentes entre os moradores.
Relato de problema anterior
Stefany afirmou ainda que esta não teria sido a primeira experiência negativa vivida por ela na rede pública de saúde do município. No vídeo, a moradora relembrou complicações ocorridas durante o parto de sua filha e relatou que precisou ser transferida para Manaus após desenvolver uma infecção.
De acordo com seu relato, ela teria enfrentado dificuldades para obter informações e documentos relacionados ao procedimento realizado na época. A mãe afirmou que chegou a considerar medidas judiciais, mas desistiu após, segundo ela, não conseguir acesso à documentação necessária.
“Eu só não fiz isso porque não quiseram me entregar a minha ficha. Também se recusaram a informar o nome da médica que realizou o meu parto. Eu me lembro muito bem de como ela forçou a mão para retirar a placenta, o que acabou me levando a Manaus com uma infecção. Eu poderia estar em casa, vivendo o meu puerpério ao lado do meu recém-nascido, mas, em vez disso, estava internada”, relatou.
As declarações repercutiram nas redes sociais e reacenderam discussões sobre a qualidade do atendimento oferecido na saúde pública de Manacapuru. Até o momento, não houve manifestação pública da Prefeitura de Manacapuru ou da direção do Hospital Geral de Manacapuru sobre as denúncias apresentadas pela moradora.
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Onde está o hospital?
Anunciado pelo governador Wilson Lima como uma das principais iniciativas para fortalecer a saúde pública no interior do estado, o Hospital Regional de Manacapuru ainda está longe de se tornar realidade. A unidade foi projetada para contar com 112 leitos de enfermaria, 32 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cinco salas cirúrgicas, maternidade e pronto-socorro adulto e infantil.

Entretanto, passados quatro anos desde o anúncio do empreendimento, o terreno destinado à construção apresenta poucos avanços, frustrando a expectativa da população de Manacapuru, conhecida como a Terra da Ciranda. Moradores relatam preocupação diante da demora na execução de uma obra considerada fundamental para ampliar a capacidade de atendimento na região.
Dados disponíveis no sistema de acompanhamento de obras do Governo do Amazonas mostram que o contrato para a construção do Hospital Regional de Manacapuru foi firmado em outubro de 2024 pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).
O Contrato nº 027/2024-UGPE, celebrado com a empresa Construtora Mercure Ltda., possui valor total de R$ 75,49 milhões e prazo de execução de 540 dias.

Apesar do investimento previsto, o próprio sistema oficial do governo classifica atualmente a obra como paralisada. Os números indicam que foram medidos apenas R$ 951,7 mil até o momento, o que representa cerca de 1,26% da execução financeira do contrato. No aspecto físico, o avanço é ainda mais reduzido, alcançando somente 1,06% do total previsto para a construção.
A paralisação da obra reforça questionamentos sobre o andamento de um projeto anunciado como estratégico para a saúde do interior amazonense, especialmente em um município que continua dependente de transferências para Manaus em casos de maior complexidade.
Nota
A reportagem mantém espaço aberto para que a administração municipal e a unidade hospitalar possam se pronunciar sobre os fatos relatados.


