Quarta-feira, 29 Abril

Há quase dois anos aguardando a realização de uma cirurgia considerada essencial para o tratamento de câncer de esôfago, o aposentado José de Amaral Ferreira, 65 anos, vive uma rotina de incerteza e agravamento do quadro de saúde. Segundo a família, ele já procurou diversas vezes a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), mas não obteve retorno concreto. “Ele está desesperado”, relata o enteado, Jadeneir Pedroso Rodrigues.

De acordo com a família, o caso teve início em 2025, quando José chegou a ser encaminhado ao centro cirúrgico da FCecon, em Manaus, mas foi retirado ainda na fase pré-operatória. “Levaram ele para a sala de cirurgia e depois tiraram. Disseram que não tinha especialista para fazer o procedimento e que ele teria que ser encaminhado para fora de Manaus”, conta Jadeneir.

A alternativa apresentada foi o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mecanismo do Sistema Único de Saúde (SUS) que permite o encaminhamento de pacientes para outros estados quando não há atendimento disponível localmente. Em maio do ano passado, a família deu entrada na documentação necessária. Desde então, porém, o processo não avançou como esperado.

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Segundo orientação médica recebida na própria FCecon, o paciente deveria realizar a cirurgia em até três meses após o término da quimioterapia e da radioterapia — prazo considerado crucial para a eficácia do tratamento oncológico. No entanto, conforme o relato da família, esse período já foi ultrapassado.

“O TFD disse que conseguiu uma vaga no Hospital de Amor, em Barretos (SP), mas que ele precisa passar por uma triagem antes”, explica Jadeneir. Para isso, foram entregues documentos que precisam ser assinados pela equipe médica da FCecon. “Levei os papéis lá, deixei com a enfermeira, e já faz 15 dias que não assinaram. Já fui duas vezes e disseram que a enfermeira está doente. Perguntei quem ficou responsável, e falaram que ninguém.”

Enquanto a burocracia se prolonga, o estado de saúde de José se agrava. Com dificuldade para se alimentar devido ao câncer de esôfago, ele tem sobrevivido basicamente de líquidos e apresenta perda significativa de peso. “A gente sabe que quem tem esse tipo de câncer não consegue comer normal. Ele vem emagrecendo muito”, afirma o enteado.

Diante da demora, a família buscou ajuda do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), na tentativa de garantir o direito ao tratamento. Até o momento, porém, a cirurgia segue sem previsão.

NOTA

O Núcleo de reportagem investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a FCecon para falar sobre a situação do paciente, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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