Um relatório oficial da Fundação Amazonprev, somado a registros fotográficos de visitas institucionais do presidente da Fundação, Evilázio Nascimento, reforçam as suspeitas em torno da aplicação de R$ 50 milhões em ativos do Banco Master promovidos na gestão do irmão do presidente do PL no Amazonas, Alfredo Nascimento, durante o Governo Wilson Lima, operação hoje investigada por órgãos de controle e cercada por controvérsias políticas no Amazonas.
O documento, datado de maio de 2025, detalha uma diligência realizada por representantes da Amazonprev em instituições financeiras em São Paulo, incluindo o Banco Master. Entre os participantes listados está Francisco Evilázio Nascimento, presidente do fundo previdenciário estadual. Em imagem registrada durante a visita, Evilázio aparece ao lado de outros representantes, evidenciando sua presença direta nas tratativas com a instituição financeira.
A participação ativa de Evilázio ganha peso no contexto das investigações porque ele é irmão do ex-senador Alfredo Nascimento, presidente estadual do PL. A relação familiar e política levanta questionamentos sobre possível influência partidária nas decisões envolvendo recursos públicos.
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Aplicação milionária sob risco
No centro do caso está a aplicação de R$ 50 milhões da Amazonprev em letras financeiras do Banco Master, realizada em junho de 2024, ainda durante o governo de Wilson Lima (UNIÃO). Segundo investigações do Ministério Público de Contas (MPC-AM) e da Polícia Federal, o investimento foi feito sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), expondo recursos de servidores públicos a risco elevado.
Procuradores do MPC-AM apontam que a escolha do banco foi “viciada”, ou seja, não teria seguido o melhor interesse da Amazonprev, mas sim favorecido a instituição financeira mesmo diante de sinais de fragilidade.
Em documento encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), em fevereiro deste ano, os procuradores destacam a “gravidade de se investir recursos em instituição que, à época da realização do investimento (06.06.2024), já poderia enfrentar dificuldades sistêmicas de liquidez e cuja própria liquidação extrajudicial veio a ser decretada em tempo relativamente próximo às operações realizadas”.
Os técnicos vão além e afirmam que o cenário de liquidação do Banco Master, somado à ausência de garantias, evidencia que não houve demonstração técnica robusta para justificar a escolha da instituição como destino de recursos previdenciários, o que pode ter causado prejuízo concreto ao fundo dos servidores do Amazonas.
O próprio relatório de diligência da Amazonprev reforça esse cenário ao indicar que havia conhecimento prévio sobre fragilidades do banco. O documento menciona “nível de risco de crédito elevado” e aponta preocupação do mercado com as taxas acima da média oferecidas pela instituição, um alerta técnico que, na prática, não impediu o avanço das operações.
Amazonas no centro do escândalo
Apesar dos riscos apontados, as decisões seguiram adiante. Segundo alegações atribuídas a Wilson Lima à época, o processo teria passado por instâncias internas e conselhos, o que agora é questionado por órgãos de controle.
A presença de Evilázio na visita institucional, registrada tanto no relatório quanto na imagem, reforça o vínculo direto entre a cúpula da Amazonprev e o Banco Master.
Com o colapso do Banco Master e sua posterior liquidação, o fundo previdenciário do Amazonas passou à condição de credor, aumentando o risco de prejuízo aos cofres públicos. O caso ganhou dimensão nacional, mas tem epicentro político em Manaus, onde se cruzam interesses financeiros e articulações partidárias.
A ligação entre a gestão da Amazonprev, o governo de Wilson Lima e o grupo político liderado por Alfredo Nascimento intensifica a suspeita de que decisões técnicas podem ter sido influenciadas por interesses políticos, ampliando a gravidade do caso.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a Amazonprev para solicitar um posicionamento sobre o caso. Mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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