Sexta-feira, 14 Junho

Ex-policial militar e eleito vereador com pautas voltadas para a segurança pública, o vereador Carpê Andrade (PL) silenciou sobre uma das principais demandas da área: a convocação dos aprovados no concurso público da Segurança Pública de 2011. E a postura pode envolver muito mais do que “amnésia”: pode passar pela irmã que causou o racha entre o vereador e a Prefeitura de Manaus.

Desde que Caroline Araújo de Andrade Souza foi exonerada da Prefeitura sob suspeita de faltar demais ao trabalho, Carpê voltou seu radar para a gestão municipal e se calou sobre o Governo do Amazonas. Caroline também é suspeita de participar de rachadinha, como mostrou o Portal do Alex Braga.

Curiosamente, deixou de lado a batalha dos concursados que esperam na eterna fila para serem chamados e ajudar no combate aos crimes no Amazonas.

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Desde que a irmã passou uma temporada lotada na Casa Civil do Governo do Amazonas, o parlamentar não cobra nada e não se junta ao grupo que vai às ruas em busca dos seus direitos.

Caroline foi nomeada em maio de 2022, com salário de mais de R$ 5,2 mil, conforme mostra a folha de pagamento do Estado daquele período.

Caroline ficou na Casa Civil até dezembro do ano passado, quando já ganhava mais do que o dobro do salário, recebendo mais de R$ 11 mil dos cofres públicos, quando foi exonerada.

Silêncio nas redes sociais

O presidente da Associação dos Concursados da Polícia Militar, Fábio Mota, explica que as manifestações em torno da chamada dos aprovados em concurso de 2011 são uma pauta importante não apenas do ponto de vista dos aprovados, mas da sociedade que clama por mais segurança no Amazonas.

“Aqui estamos, reivindicando nossos direitos como concursados de 2011 da Polícia Militar. Apesar de termos obtido três decisões judiciais a nosso favor, o governador não as cumpriu”, afirmou Mota.

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Carpê preferiu o silêncio, apesar de ter sido convidado pelo movimento para que fosse às ruas pressionar pelo chamamento dos aprovados. Nas redes sociais, o parlamentar se diz um defensor do interesse público, mas quando se trata de se aliar à reivindicação contra o Governo do Amazonas, a estratégia é o silêncio total.

“Temos em média 1.500 pessoas que fazem parte da associação dos concursados da Polícia Militar. Até o presente momento não foram chamados e a juíza decretou a chamada em 2021. A gente já tá nesse pleito exatamente há dois anos e meio três anos e o estado negligencia a nossa chamada.”, diz o presidente, que ainda esperar ver o ex-policial entrar nas trincheiras dos manauaras que reivindicam seu direito adquirido.

Nada sobre a data base

Leão na CMM contra a Prefeitura, Carpê se calou sobre a reivindicação dos servidores da Segurança que cobram atualização da data base. Apesar de não apoiar a causa, o parlamentar segue usando a segurança pública como pauta do mandato, desde que não interfira nos interesses pessoais.