Terça-feira, 19 Maio

O Estado do Amazonas vive uma constante precariedade na saúde pública. Enfrentando hospitais sem médicos, enfermeiros, pandemia, calamidade pública e descasos com pacientes e seus acompanhantes diariamente.

Um levantamento realizado exclusivamente pelo Núcleo Investigativo do Portal Alex Braga (PAB), mostra que desde quando iniciou sua gestão como deputado federal, Alberto Neto (PL), já destinou R$ 700 mil para saúde de outros Estados, como São Paulo e Paraná, de acordo com o painel público de Emendas Parlamentar.

Confira as transferências que juntas somam R$ 700 mil.

Emenda 10 (2020) Hospital Amaral Carvalho / Fundação Dr. Amaral Carvalho – Jaú/SP . Centro de referência nacional em oncologia. Portaria MS 728/2020. Fundo a Fundo Estadual (FUNDES/SP). Sem convênio.
Emenda 07 (2020) Fundação Pio XII / Hospital de Câncer de Barretos/SP . O maior hospital de oncologia da América Latina. Portaria MS 728/2020. Fundo a Fundo Estadual (FUNDES/SP). Sem convênio.
Emenda 07 (2021) HOFTALON/Hospital de Olhos de Londrina/PR. Principal referência em oftalmologia do norte paranaense. Portaria MS 1389/2021. Fundo a Fundo Municipal (FMS Londrina). Sem convênio.

Durante a apuração identificamos que três emendas de Alberto Neto, foram destinadas a hospitais especializados de alta complexidade em São Paulo e Paraná, sem qualquer nexo regional com o Amazonas. Totalizando R$ 700.000 (Setecentos mil reais). Todos via Portaria do Ministério da Saúde e Transferência Fundo a Fundo, sem convênio e sem plano de trabalho público. O campo ‘Apoiador/Solicitante’ encontra-se vazio nos três empenhos.

O que chama atenção: por qual razão o parlamentar realizou essas transferências? Principalmente em 2020, ano que o Estado do Amazonas enfrentou um colapso severo no sistema de saúde, e em 2021 um dos piores momentos mais delicados da Pandemia de Covid-19, sem oxigênio.

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Destinação para saúde de outros estados segue mesma estrutura

Por coincidência ou não, todos os casos têm estrutura idêntica: ação 2E90, portaria ministerial, transferência Fundo a Fundo sem convênio, hospitais especializados de alta complexidade com gestão estadual ou municipal, e campo ‘Apoiador/Solicitante’ em branco.

As duas emendas de 2020 foram pagas na mesma Ordem Bancária (20200B808773, 30/04/2020) via mesma portaria (728/2020). As propostas que originaram os empenhos são rastreáveis nos processos do Ministério da Saúde: 36000308934202000 (Barretos), 36000313099202000 (Jaú) e 36000368893202100 (Londrina) acessíveis via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Ausência de informações chamam atenção

A ausência de informações no campo Apoiador/Solicitante’, impede afirmar que Alberto Neto indicou nominalmente os hospitais. O que está documentado é que três hospitais especializados fora do Amazonas receberam o montante de R$ 700 mil de emendas de um deputado com base eleitoral exclusivamente amazônica, todos sem convênio, sem plano de trabalho e sem justificativa pública de interesse regional.

A pergunta que fica é: ‘como esses hospitais acessaram as emendas de um deputado do AM?’ requer resposta do parlamentar ou do Ministério da Saúde.

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Amazonas vive situação precária na saúde

Denúncias e diversos casos sobre falta de leitos, falta de médicos, remédios e equipamentos sem funcionar chegam à nossa equipe de reportagem. Recentemente, publicamos o caso de Bianca Costa, 30 anos, que perdeu a filha recém nascida na Maternidade Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, durante a gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil). 

Bianca Costa deu entrada na unidade com uma gestação desejada e acompanhada, mas deixou o hospital de mãos vazias, sem a filha e enfrentando complicações que teriam colocado sua própria vida em risco.

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Neste domingo (17) um vídeo circulou nas redes sociais, uma jovem de 18 anos deu à luz no banheiro da maternidade Dona Lindu, por falta de atendimento médico, relatou a família.

Após o caso, o médico plantonista e a supervisão assistencial responsável pelo plantão foram afastados, segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).

De acordo com a família, a jovem chegou à unidade por volta de 1h, com fortes contrações e sinais de trabalho de parto ativo. Ainda segundo informações, ela foi orientada a aguardar atendimento devido à falta de leitos na unidade.

Horas depois, sem conseguir esperar, a jovem entrou no banheiro da recepção da maternidade, onde o bebê nasceu. O recém-nascido teria sido aparado pela avó materna, que acompanhava a filha.

Confira o vídeo

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Profissionais da saúde desvalorizados e sem salários

Ainda nesta mês, tornamos público que profissionais da saúde estavam sem receber seus salários, trabalhando de graça e passando por necessidades.

Um histórico recorrente da falta de valorização desses trabalhadores deixado pelo ex-governador Wilson Lima.

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Nota

A equipe de reportagem do Alex Braga encaminhou um pedido de nota a assessoria de Alberto Neto sobre esses repasses e finalidade. Até a publicação da reportagem, nenhum retorno nos foi dado. O espaço continua aberto para manifestações.