Quarta-feira, 1 Abril

Mesmo após condenação por improbidade administrativa em julho do ano passado, após denúncia do Ministério Público, a gestão municipal do prefeito de Tapauá, Gamaliel Andrade (União Brasil), volta se envolver em polêmicas relacionadas ao uso de dinheiro público. Agora pretende gastar mais de R$ 3 milhões na construção de uma escola de apenas seis salas, sem apresentar informações detalhadas à população e em meio à grave cheia que atinge o município.

Gamaliel abriu a Concorrência Eletrônica nº 001/2026 para a construção de uma escola de alvenaria com seis salas de aula, com valor estimado em R$ 3.061.052,39. A proposta, no entanto, levanta dúvidas sobre prioridades, transparência e viabilidade, especialmente diante do atual cenário de emergência causado pela cheia dos rios.

De acordo com o edital, o projeto prevê a contratação de uma empresa para executar a obra em até 120 dias, dentro de um contrato com vigência de 240 dias. O critério de julgamento será o menor preço global. No entanto, apesar do alto valor envolvido, a administração municipal não apresentou informações detalhadas que são de interesse direto da população.

Faltam esclarecimentos fundamentais, como:

  • A localização exata da escola e se a área é segura diante do histórico de alagamentos;
  • O estudo de viabilidade técnica e ambiental da construção;
  • A justificativa do custo elevado para uma estrutura relativamente pequena;
  • O detalhamento completo da planilha orçamentária (materiais, mão de obra, BDI);
  • A previsão de manutenção futura do prédio;
  • O número de alunos que serão atendidos e o impacto real na rede municipal;
  • E principalmente, quais critérios definiram essa obra como prioridade neste momento.

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Essas lacunas se tornam ainda mais preocupantes quando se observa o contexto atual do município. Tapauá está entre as 11 cidades do Amazonas que já se encontram em situação de emergência devido à cheia dos rios, ao lado de Boca do Acre, Eirunepé, Itamarati, Carauari, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Canutama, Tabatinga, Lábrea e Santo Antônio do Içá.

O município foi o oitavo a decretar estado de emergência por conta da cheia. A medida foi publicada no Diário Oficial dos Municípios no dia 17/03.

Na mira do MPAM

As preocupações aumentam ao se considerar o histórico recente da gestão. Em 2025, Gamaliel Andrade foi condenado pela Justiça do Amazonas por improbidade administrativa, após ação do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A decisão reconheceu irregularidades no pagamento de gratificações a servidores municipais sem respaldo legal, gerando um prejuízo de mais de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.

A sentença determinou, entre outras penalidades, o ressarcimento integral do valor, suspensão dos direitos políticos por dez anos e até a perda do mandato, embora ainda caiba recurso. A Justiça destacou que houve conduta “consciente, persistente e deliberada” por parte do gestor, mesmo após recomendações formais para interromper os pagamentos ilegais.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Tapauá para falar sobra a licitação, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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