Moradores do Ramal do Baixo Rio, na zona rural de Rio Preto da Eva, denunciaram nas redes sociais a situação de abandono da estrada vicinal que dá acesso à comunidade. Vídeos gravados pela própria população mostram a via tomada pela lama, com veículos atolados e pedestres enfrentando sérias dificuldades para se locomover. A denúncia ocorre durante a gestão da prefeita Socorrinha Nogueira (União Brasil) e contrasta com o registro de R$ 4.382.449,32 gastos pela prefeitura, em 2025, com contratos de pavimentação de ramais.
Segundo os moradores, o problema não é recente. A comunidade afirma que o ramal está nessas condições há cerca de seis anos, atravessando diferentes períodos administrativos, mas sem solução até agora. Para quem vive no local, a falta de pavimentação virou rotina e trouxe prejuízos constantes, principalmente no período de chuvas.
Revolta ganha força nas redes sociais
As imagens do Ramal do Baixo Rio se espalharam rapidamente pela internet e despertaram uma onda de críticas à administração municipal. Nos comentários, internautas questionaram a atuação da prefeita e classificaram sua gestão como continuidade de práticas antigas.
“Essa prefeita é só continuação da desastrosa gestão anterior”, escreveu um usuário. Outros foram ainda mais diretos ao afirmar que a situação tende a piorar.

Também surgiram relatos de moradores que afirmam ter perdido a esperança e deixado a zona rural, além de comentários que levantam suspeitas sobre favorecimento político na escolha dos ramais que recebem obras de pavimentação. Para parte da população, o problema não é apenas a lama, mas a sensação de abandono seletivo.
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Lama também impede tráfego em outros ramais
Outro vídeo que circula nas redes sociais reforça o cenário de dificuldades enfrentado por quem mora longe da área urbana. Nele, uma moradora relata que não conseguiu subir de carro uma ladeira no ramal da ZF7 devido à lama. Segundo ela, foram dez tentativas frustradas até desistir da subida.
“Eu me arrependo profundamente de ter trocado meu título de Manaus para votar numa prefeita dessa”, afirmou, em tom de revolta. Embora não haja informação sobre há quanto tempo esse ramal enfrenta problemas, o relato ampliou o debate sobre as condições das vicinais no município.
Contratos milionários foram homologados no ano passado
Enquanto moradores denunciam abandono em alguns ramais, a Prefeitura de Rio Preto da Eva homologou, no ano passado, dois contratos de pavimentação de estradas vicinais. Ambos foram publicados oficialmente pelo setor de compras do município.
O contrato de maior valor foi homologado em outubro de 2025, por meio da Concorrência Eletrônica nº 002/2025, para a pavimentação do Ramal Paraíba e sua comunidade. A empresa vencedora foi a P R Construções e Terraplanagem Ltda, inscrita no CNPJ nº 84.496.033/0001-64, pelo valor de R$ 3.652.128,81. Apesar da homologação no ano passado, o contrato administrativo foi assinado em janeiro de 2026, com prazo de execução de 240 dias.
O segundo contrato foi homologado em setembro de 2025, por meio da Concorrência Eletrônica nº 003/2025, e prevê a pavimentação do Ramal Água Branca e sua respectiva comunidade. A obra foi adjudicada à empresa Alto Rio Empreendimentos e Construções Civil Ltda, CNPJ nº 01.762.828/0001-40, pelo valor de R$ 730.320,51.



NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Rio Preto da Eva para falar sobre o caso, mas até o fechamento desta edição não obtivemos respostas.

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