Quarta-feira, 21 Janeiro

O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) voltou a ocupar os holofotes do noticiário político e religioso brasileiro. Desta vez, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) mencionou publicamente a Assembleia de Deus do Amazonas, ligada à família de Câmara, durante a CPMI do INSS, reacendendo antigas controvérsias envolvendo o parlamentar, que incluem acusações de rachadinha, denúncias de familiares e movimentações financeiras suspeitas.

Silas Câmara acumula uma série de denúncias na reta final de mais um mandato onde precisa manter o eleitorado em busca de mais uma reeleição.

Damares cita igreja ligada à família de Silas Câmara

Em depoimento recente à CPMI do INSS, Damares afirmou que documentos analisados pela comissão mencionam instituições religiosas em investigações sobre movimentações financeiras suspeitas, entre elas a Assembleia de Deus do Amazonas e a Fundação Boas Novas, presidida por Jônatas Câmara, irmão do deputado federal Silas Câmara.

Segundo Damares, a apuração não tem caráter religioso, mas institucional. “Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. Quando se fala de líderes religiosos, há uma pressão para que não se investigue, como se a fé estivesse acima da lei”, declarou durante os trabalhos da CPMI.

A senadora também afirmou que a Assembleia de Deus do Amazonas consta nos documentos já entregues à comissão. “Além das instituições que divulguei, há menções à Assembleia de Deus do Amazonas, que já forneceu os dados solicitados e agora aguarda a análise do colegiado”, disse.

Em nota pública, Damares reforçou que a investigação não representa ataque à fé. A eventual participação de igrejas ou lideranças religiosas em esquemas de fraude no INSS causa profundo desconforto, diante do papel social e espiritual dessas instituições. Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, afirmou.

De acordo com a senadora, documentos indicam que a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) teria repassado recursos a empresas ligadas a familiares do deputado, parte dos quais teria relação com a fundação investigada.

O deputado Silas Câmara nega irregularidades e afirma que todas as transações ocorreram entre empresas legalmente constituídas, ressaltando que já prestou esclarecimentos à CPMI.

CPMI do INSS revela repasses a familiares de Silas Câmara

Em novembro de 2025, a CPMI do INSS mostrou que mais de R$ 300 mil foram repassados pelo presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira, a empresas vinculadas a familiares do deputado. Parte dos recursos chegou à Fundação Boas Novas (R$ 11 mil), ao filho Heber Tavares Câmara (R$ 37 mil), à filha Milena Câmara (R$ 146 mil) e ao próprio Silas (R$ 9 mil).

Durante o depoimento, Lincoln Ferreira foi preso por falso testemunho, após tentar omitir detalhes sobre os pagamentos. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, destacou que os repasses envolveram diretamente membros da família Câmara, reforçando a necessidade de escrutínio sobre a atuação do deputado e suas conexões familiares.

 Abraão Lincoln Ferreira da Cruz

Silas Câmara, em nota, negou irregularidades e afirmou que todas as transações foram legais e documentadas, mas o episódio reforça a suspeita pública sobre a influência da família em negócios financeiros questionáveis.

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A confissão da rachadinha

A carreira de Silas Câmara também carrega marcas de polêmica. Em acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Câmara confessou a prática de rachadinha em seu gabinete na Câmara, ocorrida entre 2000 e 2001.

Confissão de Silas Câmara

Na confissão formal ao Ministério Público Federal, o parlamentar admitiu ter recebido indevidamente parte dos vencimentos de assessores parlamentares, pedindo desculpas pelo ato. Para encerrar o caso, homologado pelo ministro Luís Roberto Barroso, Câmara teve de pagar R$ 242 mil, uma quantia pequena diante da gravidade histórica do delito, mas suficiente para evitar condenação formal.

Problemas familiares e exposição pública

A vida pessoal do deputado também ganhou espaço na mídia recentemente, com acusações feitas pela própria esposa, a deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC). Ela revelou publicamente que o casamento acabou após décadas e denunciou traições e humilhações psicológicas, citando inclusive envolvimento do deputado com outras mulheres casadas.

A deputada criticou o afastamento do parlamentar da família e sua conduta, afirmando que ele “esqueceu os mandamentos de Deus”, uma denúncia que, somada às questões financeiras, contribui para a percepção de descompasso entre o discurso religioso de Silas e sua conduta pessoal.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com o deputado Silas Câmara para falar sobre a citação da senadora Damares Alves, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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