Sexta-feira, 9 Outubro

Enquanto a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC) mantém contratos que somam R$ 30,3 milhões para a alimentação escolar, estudantes de uma escola estadual de Manaus denunciaram, em junho, a presença de tapurus na merenda. O caso expõe uma contradição que precisa ser esclarecida, quanto dinheiro está sendo destinado à alimentação dos alunos e por que, apesar disso, problemas básicos de qualidade e segurança dos alimentos ainda chegam às escolas?

A conta é alta.

O Portal Alex Braga fez o levantamento dos contratos de aquisição de gêneros alimentícios da SEDUC e os documentos mostram que os valores relacionados à alimentação escolar chegam a R$ 30.325.363,00.

O levantamento reúne 144 contratos e o valor não se refere apenas à alimentação escolar de Manaus. A tabela mostra contratos destinados a diversos municípios do interior do Amazonas, além de contratos que abrangem Manaus e o interior ou mais de um município.

Nos contratos consta que o dinheiro é destinado à compra de alimentos para atender estudantes da rede estadual em Manaus e no interior. Os contratos incluem produtos adquiridos da agricultura familiar, cooperativas, associações e fornecedores responsáveis pelo abastecimento das unidades de ensino.

Entre os municípios que aparecem na relação estão Tefé, São Gabriel da Cachoeira, Itacoatiara, Barreirinha, Presidente Figueiredo, Boca do Acre, Manacapuru, Coari, Autazes, Manicoré, Tabatinga, Benjamin Constant, Alvarães, Amaturá, Parintins, Japurá e outros. Há também contratos com abrangência para Manaus e interior e para diferentes municípios ao mesmo tempo.

No papel, são milhões destinados a garantir que o aluno tenha alimentação adequada e de qualidade na escola.

Na realidade denunciada por estudantes, porém, a situação encontrada em uma unidade estadual de Manaus foi outra.

Tapurus na merenda

Em junho, imagens divulgadas por estudantes e posteriormente repercutidas pela imprensa mostraram larvas, conhecidas popularmente como tapurus, em alimentos que, segundo a denúncia, seriam utilizados na alimentação escolar de uma escola estadual localizada no bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus.

O episódio provocou revolta entre pais, responsáveis e estudantes.

Relato de professora aponta outro problema

Além da denúncia envolvendo a presença de tapurus, um vídeo divulgado registra o relato de uma professora sobre problemas relacionados ao fornecimento da alimentação escolar.

Segundo ela, em 24 de março, por volta das 11h40, alunos de uma escola estadual estariam sendo liberados por falta de almoço. Ainda conforme o relato, a justificativa apresentada seria de que a empresa responsável não estaria recebendo o repasse do governo.

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A professora afirmou ainda que, por causa da falta de almoço, os alunos não teriam aulas no período da tarde.

“Sou professora de uma escola estadual e hoje, 24 de março, às 11h40 da manhã, os alunos dessa escola estão sendo liberados por falta de almoço. A justificativa que temos para isso é que a empresa não está recebendo o repasse do governo. E por isso os alunos não terão aulas vespertinas por falta de pagamento.”

No mesmo vídeo, ela afirma que uma situação semelhante estaria ocorrendo em outra escola e relata que diretores estariam improvisando a alimentação dos estudantes.

“Mas em outra escola está acontecendo a mesma coisa. Estamos tendo o café da manhã, porque os diretores da escola estão fazendo o café com a merenda da tarde.”

A professora também chama atenção para a situação dos estudantes que moram em áreas rurais e dependem de transporte coletivo para chegar às escolas.

“Agora, muitos alunos moram em zona rural, muito distante aqui da cidade. Alguns que moram na estrada, ribeirinhos, que pegam ônibus e demoram horas para chegar em suas casas.”

Segundo o relato, a situação representaria um problema especialmente grave para esses estudantes, que dependem da escola não apenas para as aulas, mas também para receber a alimentação durante o período escolar.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a Seduc para falar sobre o caso, mas até a publicação desta matéria não obtivemos repostas. O espaço segue aberto para esclarecimento.

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