Quarta-feira, 16 Setembro

A Prefeitura de Uarini, na gestão do prefeito Marcos Martins (União Brasil), firmou um contrato de R$ 2.386.673,09 para a execução de uma obra que prevê a construção de pista de caminhada, meio-fio, sarjetas e uma praça com áreas de recreação e exercícios na Estrada do Copacá. O contrato ocorre em um momento em que o Amazonas enfrenta um período de estiagem, com alerta para os efeitos da seca, do calor, dos incêndios e da fumaça.

Pelo documento, a empresa receberá R$ 2,38 milhões para executar a obra. O prazo de vigência do contrato é de 180 dias, enquanto a execução está prevista para ocorrer em até 150 dias depois da emissão da Autorização de Início de Obra e da ordem de serviço.

O contrato nº 040/2026 foi firmado com a empresa Dantas Representações Ltda., vencedora da Concorrência Eletrônica nº 017/2026. O resultado da licitação foi adjudicado e homologado pelo prefeito em 3 de setembro de 2026. O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial dos Municípios do Amazonas em 8 de setembro.

O que será construído?

Segundo o contrato, o projeto prevê uma pista de caminhada, além de meio-fio e sarjeta, e a implantação de uma praça com área de recreação e exercício na Estrada do Copacá.

O problema é que o extrato publicado pela Prefeitura é bastante resumido e não permite ao cidadão conhecer, por si só, como será efetivamente essa praça.

O documento não apresenta, por exemplo, as dimensões da área de lazer, quantidade e tipos de equipamentos de exercícios, brinquedos, bancos, iluminação, paisagismo ou outros elementos que eventualmente façam parte do projeto. Também não detalha no extrato quanto dos R$ 2,38 milhões será destinado especificamente à pista, à praça, à drenagem, aos equipamentos ou às demais etapas da obra.

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A Prefeitura afirma que o valor está de acordo com o Projeto Básico adjudicado e homologado, mas esse projeto e a planilha orçamentária não aparecem detalhados no extrato divulgado.

Contrato ocorre em momento de alerta climático

A contratação chama atenção também pelo contexto em que foi realizada.

O Amazonas atravessa um período de estiagem e de preocupação com incêndios e fumaça. O governo estadual declarou, preventivamente, estado de emergência climática e ambiental diante dos riscos associados à redução das chuvas, estiagem, seca, incêndios florestais, ondas de calor e redução da disponibilidade hídrica.

Em setembro, a situação continuava exigindo atenção. Dados divulgados pela Defesa Civil aponta que sete municípios estão em situação de Emergência pela estiagem: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Carauari, Eirunepé, Itamarati, Manacapuru e São Paulo de Olivença. Outros 14 municípios estão em Alerta: Amaturá, Barcelos, Boca do Acre, Envira, Guajará, Ipixuna, Juruá, Lábrea, Pauini, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá e São Gabriel da Cachoeira, Tonantins e Tabatinga.

Além disso, 13 municípios estão em situação de Atenção: Apuí, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Canutama, Humaitá, Manicoré, Maués, Nhamundá, Novo Aripuanã, Parintins, São Sebastião do Uatumã, Tapauá e Urucará. Outros 28 municípios estão em situação de Normalidade.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Uarini e com a empresas responsável para falar sobre o contrato, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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