Terça-feira, 15 Setembro

Documentos de licitações e contratos da Prefeitura de Manicoré, na gestão do prefeito Lúcio Flávio (PSD), mostram que o município formalizou, ao longo de 2026, pelo menos R$ 17.123.901,89 em contratos para construção e ampliação de unidades de educação, incluindo escolas de quatro e duas salas, ampliação da Escola Edmundo Juarez e uma creche de educação infantil.

Apesar dos valores milionários destinados às obras, moradores de comunidades rurais afirmam que ainda enfrentam problemas básicos para garantir que crianças tenham um espaço adequado para estudar.

A denúncia mais recente parte da comunidade do Ribamar, onde moradores relatam que a escola municipal que leva o mesmo nome da comunidade, não possui espaço suficiente para atender as duas turmas existentes. Segundo eles, uma das turmas precisa utilizar o centro social da comunidade, que estaria em condições precárias.

“Nós estamos na comunidade do Ribamar, na Escola Municipal Ribamar. Estamos aqui porque os moradores querem que este colégio seja ampliado com uma nova sala de aula. Porque aqui tem dois professores, duas turmas que estudam. Uma estuda nessa sala, a outra no centro social da comunidade, que está caindo na cabeça das pessoas e dos alunos”, relatou o morador Efraim Lagos.

Segundo o morador, a estrutura do centro social apresenta problemas no telhado e nas madeiras.

“O telhado já não existe mais, está faltando tábua e tem tábuas soltas. A laje está toda suja, os banheiros não estão bons”, afirmou.

A situação relatada pelos moradores ganha peso diante dos valores registrados nos documentos oficiais da própria administração municipal. Entre janeiro e abril de 2026, foram formalizados contratos para diferentes obras educacionais, totalizando mais de R$ 17 milhões.

Milhões em contratos

O maior contrato citado nos documentos é de R$ 5.384.794,70, firmado com a empresa Plastiflex Empreendimentos da Amazônia Ltda., CNPJ 01.426.987/0001-73, para a ampliação da Escola Edmundo Juarez, construção de vestiários, arquibancada e pista de atletismo.

O contrato foi assinado em 24 de fevereiro de 2026 e possui vigência de 360 dias.

A mesma empresa também foi contratada por R$ 3.632.383,22 para a construção de uma creche de educação infantil, modelo FNDE Tipo 02, na Rua João Gomes Noia, no distrito de Santo Antônio do Matupi. O contrato, de nº 169/2026, foi assinado em 10 de abril de 2026, também com vigência de 360 dias.

Já a empresa Sigma Engenharia e Consultoria Ltda., CNPJ 11.621.353/0001-25, recebeu contratos para duas escolas.

Para a construção da escola de quatro salas na Comunidade Palmeiras, o valor contratado foi de R$ 1.853.279,33. O contrato nº 002/2026 foi assinado em 28 de janeiro de 2026.

Na Comunidade Santa Helena, a mesma empresa ficou responsável pela construção de uma escola de duas salas, pelo valor de R$ 782.500,88. O contrato nº 006/2026 foi assinado em 10 de fevereiro de 2026.

Outras três escolas foram contratadas junto à R2S Designer e Construções Ltda., CNPJ 26.747.597/0001-26.

Na comunidade São José do Atininga, uma escola de quatro salas foi contratada por R$ 1.823.701,43, conforme contrato nº 140/2026, assinado em 25 de março de 2026.

Na comunidade Repartimento, outra escola de quatro salas foi contratada por R$ 1.823.587,13, conforme contrato nº 141/2026, assinado em 26 de março de 2026.

E na comunidade Braço Grande, uma terceira escola de quatro salas foi contratada por R$ 1.823.655,20, conforme contrato nº 142/2026, assinado em 27 de março de 2026.

Confira os valores

  • Palmeiras: R$ 1.853.279,33
  • Santa Helena: R$ 782.500,88
  • Edmundo Juarez — ampliação, vestiários, arquibancada e pista: R$ 5.384.794,70
  • São José do Atininga: R$ 1.823.701,43
  • Repartimento: R$ 1.823.587,13
  • Braço Grande: R$ 1.823.655,20
  • Creche em Santo Antônio do Matupi: R$ 3.632.383,22

Total: R$ 17.123.901,89

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Os documentos mostram ainda que os contratos possuem, em geral, vigência de 360 dias. Portanto, considerando as respectivas datas de assinatura, a execução desses contratos se estende de 2026 para 2027, com o contrato mais recente chegando aproximadamente a abril de 2027.

“Precisamos urgentemente de uma sala de aula”

Nas redes sociais, moradores também manifestaram indignação com a situação das escolas da zona rural.

Um dos comentários publicados sobre a situação afirma:

“Precisamos urgentemente de uma sala de aula porque antes as crianças estudavam nesse centro social, agora elas estão tudo juntas. No colégio não existe nem um ventilador, tem muita coisa para ser resolvida.”

Outro morador chamou atenção para a situação de outras comunidades:

“Verdade, a zona rural está esquecida mesmo. Terra Preta do Atininga se encontra em situação precária também.”

As críticas não ficaram restritas à estrutura física das escolas. Outro comentário questionou as prioridades da administração municipal:

“Realidade desse governo que não prioriza a educação, saúde e infraestrutura. Simplesmente só quer se beneficiar com dinheiro do povo.”

Um quarto comentário criticou aqueles que defendem a administração:

“Mano, tem gente que ainda puxa saco do prefeito, e a gente está vendo a realidade da situação nas comunidades ribeirinhas.”

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura para falar sobre a reclamação dos moradores, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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