Sábado, 19 Setembro

Três dias após ser alvo de buscas da Polícia Federal, Adail Filho é anunciado ao lado de Thiago Abrahim em um encontro político que, por acaso, acontece no mesmo endereço e durante o horário de um bingo com distribuição de R$ 2 mil em prêmios.

Os próprios cartazes revelam o crime eleitoral claro. O encontro com os deputados está marcado para as 10h, no Centro Social da Comunidade Nossa Senhora do Livramento, no Aneba. No mesmo local, das 9h30 às 11h, será realizado o “Bingo Social Amigos do Aneba”. 

Na prática, enquanto moradores são atraídos por cartelas gratuitas e pela possibilidade de ganhar dinheiro, Adail Filho e Thiago Abrahim são anunciados para uma agenda política no mesmo espaço e exatamente durante o bingo. 

A coincidência levanta uma suspeita grave: o bingo estaria sendo usado para atrair eleitores para o encontro com os deputados?

O bingo anuncia cartelas gratuitas e 15 premiações em dinheiro: 13 prêmios de R$ 100, um de R$ 300 e outro de R$ 400. No total, serão distribuídos R$ 2 mil. O material cita o apoio de “Coronel Orleans”.

Quem financiou os R$ 2 mil? Quem organizou a distribuição das cartelas? Os deputados e suas equipes sabiam da premiação? Existe alguma ligação entre os organizadores do bingo e a agenda política?

A legislação eleitoral proíbe que candidatos, comitês ou pessoas autorizadas distribuam bens ou vantagens aos eleitores durante a campanha.

O episódio ganha ainda mais repercussão por ocorrer logo após a Operação Dinastia do Lago. Deflagrada em 16 de setembro, a ação da Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à gestão de Coari.

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