Terça-feira, 30 Junho

Um vídeo divulgado por moradores de Tapauá, no interior do Amazonas, colocou novamente em debate as condições da infraestrutura urbana do município. As imagens mostram uma viatura da Polícia Militar presa dentro de um buraco durante patrulhamento de rotina na Rua Armindo Marinho, antiga Beco Amazonas.

O caso repercutiu nas redes sociais e gerou críticas à gestão do prefeito Gamaliel Andrade de Almeida (União Brasil). Moradores questionaram a situação das vias públicas e cobraram que os investimentos anunciados pela prefeitura resultem em melhorias visíveis para a população.

“Gestão de maquiagem”, escreveu um internauta ao comentar a publicação.

“Isso porque as ruas estão perfeitas”, ironizou outro morador.

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Contrato de milhões

A repercussão acontece em meio à homologação de uma licitação no valor de R$ 13.546.379,19 para obras de pavimentação e infraestrutura urbana no município. O processo foi vencido pela empresa Tecnobrasil Engenharia Ltda., inscrita no CNPJ nº 32.812.361/0001-29.

De acordo com o documento oficial, a Concorrência Presencial nº 001/2026 prevê a contratação de empresa especializada para serviços de pavimentação, drenagem, assentamentos, escavações, compactação de aterros, além do fornecimento de mão de obra, equipamentos, insumos e maquinários pesados.

O contrato, no entanto, funciona por meio de registro de preços e os documentos publicados não especificam a relação completa das ruas que receberão os serviços de pavimentação. Dessa forma, não há informação oficial indicando que a Rua Armindo Marinho, onde ocorreu o incidente com a viatura, esteja incluída entre os trechos previstos nas obras contratadas.

Além da licitação de R$ 13,5 milhões, a prefeitura firmou um contrato específico com a mesma empresa. O Contrato nº 003/2026, assinado em 2 de fevereiro de 2026, tem valor de R$ 1.389.447,60 e prevê a execução de obras de infraestrutura urbana com pavimentação em concreto armado nos bairros Centro e Açaí.

Segundo o extrato contratual, os recursos utilizados são provenientes de transferência especial da União e de recursos ordinários do município. O prazo de vigência é de 120 dias, com 60 dias previstos para execução.

Histórico judicial

As críticas à administração municipal também ocorrem em meio ao histórico recente do prefeito Gamaliel Andrade de Almeida na Justiça.

Em 2025, o gestor foi condenado pela Justiça do Amazonas em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). A decisão apontou irregularidades no pagamento de gratificações a servidores municipais sem respaldo legal, com prejuízo superior a R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.

A sentença determinou o ressarcimento dos valores e aplicou outras penalidades previstas na legislação, incluindo suspensão dos direitos políticos por dez anos e perda da função pública, conforme decisão de primeiro grau. A decisão ainda pode ser questionada por meio de recursos.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura e as empresas contratadas para falar sobre a reclamação dos moradores, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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