O Governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), mantém em vigor um contrato estimado em R$ 260,1 milhões com uma empresa estatal do Piauí para operar serviços de telessaúde, enquanto médicos que atuam na rede pública estadual relatam atrasos no recebimento de salários.
O contrato com a Empresa de Tecnologia da Informação do Estado do Piauí S/A (ETIPI) foi firmado em fevereiro de 2025, ainda durante o governo de Wilson Lima (União Brasil), por meio de contratação direta, sem licitação. O acordo, que inicialmente tinha valor de R$ 196,4 milhões, passou a ter valor estimado de R$ 260.146.458,00 após termo aditivo e segue sendo executado pela atual administração.
Telessaúde foi apresentada como solução para desafogar a rede
O contrato com a ETIPI prevê a implantação de uma plataforma tecnológica de telessaúde, incluindo licença de software, treinamento, suporte 24 horas por dia e disponibilização de profissionais para teleconsultas e telediagnósticos.
A justificativa apresentada pelo Estado foi ampliar e otimizar o acesso à saúde pública no Amazonas, especialmente em um território onde grandes distâncias dificultam a chegada de médicos especialistas a municípios mais afastados.
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A proposta era permitir que pacientes do interior pudessem receber atendimento remoto e que parte da demanda dos SPAs e hospitais de Manaus fosse reduzida.
Na prática, porém, a crise assistencial permanece como um dos principais problemas enfrentados pela população.
SPAs e hospitais continuam enfrentando superlotação
Mesmo com um contrato milionário voltado para ampliar o acesso digital à saúde, pacientes continuam relatando dificuldades para conseguir atendimento nas unidades públicas do Amazonas.
SPAs e hospitais seguem registrando grande movimento, espera prolongada e dificuldades para atender a demanda existente.
A promessa de que a tecnologia ajudaria a desafogar a porta de entrada do sistema ainda não se refletiu em uma mudança perceptível na rotina de muitos usuários da rede estadual.
Além disso, profissionais de saúde têm denunciado atrasos nos pagamentos. Médicos que atuam em unidades como o Complexo Hospitalar Zona Norte, que reúne o Hospital Delphina Aziz e a UPA Campos Sales, relataram períodos de atraso salarial e cobraram providências do governo Roberto Cidade.
Contrato nasceu na gestão Wilson Lima e segue mantido por Roberto Cidade
A contratação da ETIPI foi realizada em fevereiro de 2025, durante o governo Wilson Lima, por meio de dispensa de licitação.
O contrato inicial previa valor global de R$ 196.489.860,00. Posteriormente, com aditivo, o montante estimado passou para R$ 260.146.458,00, com vigência prorrogada até março de 2027.
Agora, a execução do acordo está sob responsabilidade política do governo Roberto Cidade, que assumiu o Estado recebendo uma série de contratos e compromissos firmados pela administração anterior,.
O atual governador mantém o serviço ativo e precisa responder sobre a efetividade do investimento e os resultados entregues à população.
Ministério Público abriu procedimento para acompanhar contrato
A contratação da ETIPI passou a ser acompanhada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).
A 79ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção do Patrimônio Público instaurou procedimento administrativo após denuncia.
O MPAM informou que o objetivo é acompanhar a execução do Contrato nº 001/2025-SES/AM, considerando o valor envolvido e a necessidade de fiscalização.
O procedimento não representa condenação ou comprovação de irregularidade, mas uma atuação de acompanhamento e apuração sobre a contratação e sua execução.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do Governo e com a empresa contratada para falar sobre o caso, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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