Terça-feira, 16 Junho

A precariedade da infraestrutura urbana e rural de Codajás tem gerado uma crescente onda de reclamações contra a administração do prefeito Tonho Santos. Moradores denunciam o abandono de vias públicas, estradas intrafegáveis e problemas de drenagem que continuam afetando a rotina da população, enquanto gastos milionários da prefeitura passam a ser questionados pela comunidade.

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Diariamente, denúncias encaminhadas por moradores expõem as dificuldades enfrentadas em diversos pontos do município. Um dos casos mais recentes envolve a Estrada do Moade, que, segundo relatos e vídeos divulgados nas redes sociais, apresenta condições precárias de trafegabilidade, com trechos tomados por lama e dificultando o deslocamento de moradores.

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O internauta William Alexandre, conhecido por publicar conteúdos sobre a realidade do município, divulgou imagens da situação da estrada e fez um apelo às autoridades municipais.

“Gostaria de pedir educadamente às autoridades competentes deste município de Codajás que olhem para a Estrada do Moade. Tem pessoas que moram aí que não são bichos para andar na lama”, escreveu William.

A manifestação reflete a indignação de moradores que afirmam conviver diariamente com a falta de manutenção das vias, especialmente durante o período de chuvas, quando diversos trechos se tornam praticamente inacessíveis.

Festa milionária em meio às reclamações

Enquanto moradores denunciam o abandono da infraestrutura, a gestão municipal investiu mais de R$ 1 milhão na realização da 35ª Festa Cultural do Açaí. A contratação de atrações artísticas e os gastos relacionados ao evento chamaram atenção da população, principalmente diante das demandas urgentes por melhorias em áreas consideradas essenciais.

Entre os destaques da programação esteve a premiação da Rainha da Festa do Açaí. Conforme informações divulgadas pela própria prefeitura, a vencedora do concurso recebeu um veículo Renault Kwid zero quilômetro, modelo 2026, avaliado entre R$ 77 mil e R$ 90 mil, dependendo da versão.

Para moradores, a realização de eventos culturais é importante para o município, mas muitos questionam a prioridade dada aos investimentos diante dos problemas estruturais enfrentados pela população.

População assume papel que deveria ser do poder público

A insatisfação também tem levado moradores a se organizarem por conta própria para resolver problemas que, segundo eles, deveriam ser atendidos pela prefeitura.

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Em uma das situações registradas, residentes de uma área afetada por alagamentos arrecadaram recursos para contratar uma máquina particular com o objetivo de realizar o desassoreamento de um rego que estaria provocando o acúmulo de água e a invasão de residências.

A iniciativa evidencia o sentimento de abandono relatado por parte da população, que afirma não ter recebido respostas efetivas do poder público para solucionar problemas considerados básicos.

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Contrato de mais de R$ 2 milhões para uma única rua gera questionamentos

A revolta popular aumentou após a divulgação de um contrato firmado pela Prefeitura de Codajás para obras na Rua Rio Badajós. O documento prevê investimento de R$ 2.093.948,53 na execução de pavimentação rígida em concreto armado e drenagem superficial da via.

O contrato nº 001/2026 foi celebrado com a empresa Construtora Pilar Ltda., após a realização da Concorrência Eletrônica nº 010/2025, tendo seu extrato publicado no Diário Oficial dos Municípios.

Embora a obra contemple serviços de pavimentação e drenagem, o valor elevado para beneficiar apenas uma rua chamou atenção de moradores e observadores da gestão pública. Levantamentos realizados com base em mapas públicos apontam que a Rua Rio Badajós possui entre 1 km e 1,96 km de extensão, o que levanta questionamentos sobre o custo da intervenção em comparação com a realidade financeira do município.

Diante desse cenário, moradores cobram maior transparência na aplicação dos recursos públicos e investimentos mais amplos em infraestrutura, especialmente nas áreas que enfrentam problemas históricos de mobilidade, drenagem e conservação de vias.

Enquanto a população tenta conviver com ruas tomadas pela lama e estradas deterioradas, as críticas à gestão de Antônio Ferraz ganham força e alimentam o debate sobre as prioridades da administração municipal.

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