Quarta-feira, 6 Maio

Na zona rural do município de Juruá, a situação da Escola Municipal São Francisco tem gerado forte indignação entre moradores e comunidade escolar. As denúncias apontam que, mesmo após o município receber cerca de R$ 8,48 milhões do FUNDEB, fundo destinado à manutenção da educação básica, a unidade segue funcionando sem estrutura adequada de iluminação.

O caso ocorre na gestão do prefeito Ilque Cunha (MDB) e envolve a comunidade Antonina, onde estudantes precisaram iniciar o ano letivo de forma atrasada e, quando as aulas começaram, encontraram uma realidade considerada crítica, salas de aula sem luz elétrica, obrigando o uso de lamparinas e lanternas improvisadas para tentar acompanhar o conteúdo escolar.

Imagens registradas por moradores mostram alunos reunidos em condições precárias, tentando estudar com pouca ou nenhuma iluminação, o que compromete diretamente o aprendizado e a segurança dentro da escola.

Professora relata aulas no escuro e dificuldades estruturais

Em vídeo gravado na unidade escolar, uma professora da Escola Municipal São Francisco descreve a situação enfrentada diariamente por alunos e educadores:

“Eu fui notificada pelos alunos da comunidade Antonina a vir cumprir meu horário da noite, dar aula pra eles, mas não tem condições de ministrar aula no escuro. Foram dadas duas opções para amenizar a perda de aulas, estudar uma ou duas vezes na semana à tarde, mas eles não aceitaram porque trabalham na agricultura, pesca e na retirada de açaí. Muitos estão na produção de farinha. Outra opção foi usar apostilas para repor aulas, mas eles querem aulas presenciais. Eu e a professora Carla estamos em sala tentando cumprir o horário a pedido dos alunos”, relatou.

O depoimento evidencia não apenas a falta de infraestrutura, mas também a dificuldade de adaptação do calendário escolar à realidade socioeconômica das famílias da região.

https://portaldoalexbraga.com.br/wp-content/uploads/2026/05/VID-20260505-WA0041-2.mp4

LEIA MAIS: R$ 3,4 MI: Ilque Cunha compra cadeiras, sofás e mesas em empresas de áudio e alimentos em Juruá

Denúncia aponta descaso e possível omissão do poder público

Uma nota de repúdio da Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá e da Juventude Unida da RESEX do Baixo Juruá afirma que a situação representa “descaso” e “descompromisso” do poder público municipal com o direito à educação.

O documento destaca que os estudantes iniciaram o ano letivo com atraso e, mesmo assim, sem condições mínimas de funcionamento da escola, o que fere princípios constitucionais e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que garantem ensino com dignidade e infraestrutura adequada.

Para as entidades, a situação não é isolada nem recente, mas resultado de uma falta de planejamento e de investimentos efetivos na educação das comunidades rurais.

Recursos milionários e cobrança por transparência

Dados de repasses federais mostram que o município de Juruá recebeu aproximadamente R$ 8,48 milhões do FUNDEB, valor que deveria ser aplicado na melhoria da educação básica, incluindo infraestrutura escolar, transporte, valorização de profissionais e condições de ensino.

Apesar disso, moradores e lideranças locais afirmam que não há sinais proporcionais de melhoria nas escolas da zona rural, especialmente na comunidade Antonina, o que intensifica as críticas à gestão municipal.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Juruá para falar sobre a situação da escola, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

LEIA MAIS: Obra de mais de meio milhão em 90 dias coloca Ilque Cunha contra a parede em Juruá

Exit mobile version