Moradores do município de Tapauá denunciam que ruas como Maringá e Muraid Said seguem alagadas e com bueiros entupidos, mesmo após a Prefeitura firmar, em 2025, um contrato de R$ 808.780,00 com a empresa R DA S Fernandes Serviços para limpeza de fossas sépticas, caixas de gordura e esgotamento sanitário.
Vídeos gravados pelos próprios moradores mostram esgoto acumulado, água tomando conta das vias e riscos reais de desabamentos.
“Nossa Tapauá é tão pequena e está assim”, comentou uma internauta, expressando a indignação de muitos.

O contrato, assinado durante a gestão de Gamaliel Andrade (União), previa serviços completos, incluindo sucção, transporte e destinação final dos resíduos de forma adequada, além de fornecimento de equipamentos e mão de obra. No entanto, meses depois, os bueiros continuam sem manutenção adequada, e a população enfrenta transtornos constantes, principalmente durante as chuvas.
O extrato de contrato e a ata de registro de preços referentes ao Pregão Presencial nº 009/2025 da Prefeitura de Tapauá indicam que a empresa deveria atuar por 12 meses no serviço de limpeza e esgotamento de fossas, com responsabilidade sobre o transporte e destinação final dos resíduos, conforme normas ambientais vigentes.



A empresa
A R DA S Fernandes Serviços, com CNPJ 42.527.522/0001-96, tem sede em Manaus, no bairro Adrianópolis, e está cadastrada no segmento de serviços combinados de escritório e apoio administrativo (CNAE 82.11-3-00). O capital social da empresa é de R$ 200 mil.


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Prefeito já foi condenado
As preocupações aumentam ao se considerar o histórico recente da gestão. Em 2025, Gamaliel Andrade foi condenado pela Justiça do Amazonas por improbidade administrativa, após ação do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A decisão reconheceu irregularidades no pagamento de gratificações a servidores municipais sem respaldo legal, gerando um prejuízo de mais de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.

A sentença determinou, entre outras penalidades, o ressarcimento integral do valor, suspensão dos direitos políticos por dez anos e até a perda do mandato, embora ainda caiba recurso. A Justiça destacou que houve conduta “consciente, persistente e deliberada” por parte do gestor, mesmo após recomendações formais para interromper os pagamentos ilegais.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura e a empresa vencedora para falar sobre a situação, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


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