Quinta-feira, 25 Julho

Ligações perigosas, funcionários em pontos estratégicos e um possível esquema envolvendo representantes de setores públicos importantes. O possível esquema formado pela secretária Cecília Lorenzon, segundo investigação do Portal Alex Braga e Sem Mordaça, envolve os principais pontos de liberação de recursos, a Secretaria de Estado de Saúde de Roraima (Sesau) e a Comissão Setorial de Licitação (CSL).

Na gestão do atual governador Antonio Denarium, a advogada Cecília Lorenzon é conhecida por circular entre as secretarias, acumulando denúncias e investigações. Segunda vez no cargo desde fevereiro do ano passado, sendo a 10ª a assumir a Sesau, Lorenzon construiu o seu lar.

Cecília Lorenzon quando assumiu a Sesau pela primeira vez em 2019, indicou uma pessoa de confiança para assumir uma vaga na CSL, sendo Bruno Arnaldo Uchôa de França. Quando a secretária assumiu a Companhia Energética de Roraima (CEER), levou o amigo junto e ao retornar novamente para a Sesau, realocou novamente Bruno na presidência da CSL.

De acordo com o próprio currículo divulgado por Bruno, o mesmo é ex-funcionário da Cooperativa Brasileira de Serviços Múltiplos de Saúde (Coopebras), mesma empresa em que o procurador Valdan Vieira Barros atuava como gerente.

O Portal Alex Braga denunciou no início de março, a ligação de Valdan com várias empresas que possuem contratos com a Secretaria de Saúde. O procurador também assina os contratos da UPMED FARMA do empresário Wilson Fernando Basso, marido da secretária Cecília Lorenzon.

No currículo disponível na internet, Bruno diz que trabalhou como Gerente de Licitações na Coopebras entre 2015 a 2020. Na empresa CONTAD – Assessoria e Gestão Hospitalar, atuou como assessor jurídico de licitações em 2016.

Em 2020, o Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou oito funcionários da Coopebras por suspeita de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Na ação, constavam os pedidos de prisão preventiva do procurador Valdan e do presidente da CSL, Bruno.

Segundo o MPRR, o grupo é suspeito de desviar R$ 30 milhões durante anos de contratos para fornecer serviços médicos. No processo é citado que Bruno era funcionário da Coopebras e que assumiu a presidência da CSL para interferir favoravelmente por algumas empresas, dentre elas, a própria Coopebras.

“Depois foram bem compensados, seja com dinheiro, seja com cargos nas empresas e até mesmo com ascensão em cargos dentro do governo, como foi o caso de Bruno Uchôa que no ano de 2019 ocupou o cargo de presidente da Comissão de Licitação da Sesau na Gestão de Cecília Smith Lorenzon”, consta.

Em uma pesquisa no Portal da Transparência, é possível verificar que o salário bruto do presidente da CSL varia em torno de R$ 7 mil, após a entrada de Bruno, a remuneração bruta subiu para cerca de R$ 17 mil.

Ambos, Bruno e Valdan, são conhecidos nos corredores, como o braço esquerdo de Cecília Lorenzon e braço direito de Wilson Basso.

A equipe de investigação do Portal Alex Braga e Sem Mordaça, durante pesquisas nos processos licitatórios, localizou um documento que chamou muita atenção pela peculiaridade.

A secretária Cecília Lorenzon encaminhou o documento solicitando autorização para contratar uma empresa em que Valdan Barros atua como procurador.

“Contratação de empresa especializada para a prestação de serviço de forma contínua de Recepcionistas para atender as Unidades de Saúde do Estado de Roraima”, e Contrato nº 020/2022 (Ep. 3955352), firmado entre esta Secretaria de Estado da Saúde e a empresa D & L SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA, no valor total de R$ 16.619.312,40″, cita.

Porém, o documento foi direcionado para a própria secretária. Ou seja, Cecília Lorenzon fez tudo sozinha. Solicitou a contratação e também assinou autorizando.