Segunda-feira, 13 Julho

A gestão do prefeito Ilque Cunha (MDB), em Juruá, no interior do Amazonas, vai desembolsar R$ 2.642.932,07 para a construção de uma escola de madeira com apenas duas salas de aula nas comunidades do município. O valor consta no Contrato nº 028/2026, publicado no Diário Oficial e firmado entre a Prefeitura de Juruá e a empresa Grippa Construções e Serviços Empresariais Ltda., vencedora da Concorrência Pública nº 005/2026.

O extrato do contrato informa que o objeto da contratação é a “construção de escola padrão de 2 salas de madeira nas comunidades de Juruá-AM”, ao custo de mais de R$ 2,6 milhões, com recursos oriundos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

A contratação chama atenção pelo valor elevado destinado a uma estrutura descrita oficialmente como uma escola de madeira com apenas duas salas de aula. Além disso, o documento divulgado pela prefeitura apresenta poucas informações sobre o empreendimento.

O extrato não detalha a metragem da construção, a capacidade de atendimento dos alunos, a quantidade de banheiros, a existência de cozinha, refeitório, área administrativa ou outros espaços complementares. Também não informa em quais comunidades as escolas serão construídas nem apresenta justificativas técnicas que permitam compreender a composição do custo milionário da obra.

Outro ponto que desperta questionamentos é que o contrato estabelece prazo de apenas 90 dias para execução dos serviços.

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O contrato milionário para construção da escola de madeira surge em meio a recentes questionamentos sobre a situação da educação municipal.

Em maio deste ano, o prefeito Ilque Cunha ganhou repercussão na imprensa amazonense após denúncias divulgadas pelo Portal do Alex Braga apontarem que estudantes da Escola Municipal São Francisco, na comunidade Antonina, estavam assistindo aulas em condições precárias devido à falta de energia elétrica.

Mesmo após o município receber aproximadamente R$ 8,48 milhões em recursos do Fundeb, alunos precisavam recorrer a lamparinas e lanternas improvisadas para conseguir acompanhar as atividades escolares durante o período noturno.

Agora, a publicação de um contrato de mais de R$ 2,6 milhões para uma escola de madeira com apenas duas salas volta a colocar a aplicação dos recursos da educação no centro do debate público no município.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Juruá e com a empresa contratada para falar sobre o contrato, mas até a publicação desta matéria não obtivemos repostas. O espaço segue aberto para esclarecimento.

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