A fumaça provocada pelas queimadas na região do Rio Uatumã, no município de São Sebastião do Uatumã, no interior do Amazonas, tem causado preocupação entre moradores e empresários que dependem do turismo. Diante da situação, Diana Prado, moradora da comunidade Rio Abacate, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, gravou um vídeo denunciando os impactos ambientais e cobrando providências da gestão do prefeito Jander Barreto (União Brasil) e dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.
Segundo Diana, a situação chegou a um ponto crítico, afetando diretamente a saúde dos visitantes e comprometendo uma das principais atividades econômicas da região: o turismo. Ela relatou que um grupo de turistas precisou deixar a pousada local após apresentar mal-estar provocado pela intensa fumaça que encobre o rio.
Além dos problemas respiratórios, Diana alertou para os riscos de acidentes durante a navegação, já que a fumaça compromete a visibilidade dos condutores das embarcações.
“Hoje saiu da Pousada Eliana um grupo de turistas passando mal, com tanta fumaça no Uatumã, correndo o risco de sofrer um acidente na lancha, porque o comandante não consegue enxergar nada à frente”, denunciou.
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Fumaça e omissão
Indignada com a situação, Diana criticou a falta de medidas efetivas para combater as queimadas e cobrou respostas dos representantes municipais, estaduais e dos órgãos ambientais. A moradora questiona a ausência de fiscalização e de punições aos responsáveis pelos incêndios.
“O que mais me deixa indignada é que, até agora, com tudo isso acontecendo, ninguém foi multado, ninguém foi preso, e isso continua acabando com a saúde, a vida e o negócio das pessoas”, desabafou.
A denúncia também coloca em evidência a gestão do prefeito Jander Barreto, cobrada pela moradora diante dos impactos enfrentados pela população. Para Diana, os representantes políticos precisam deixar as promessas de lado e buscar soluções concretas para proteger as comunidades e a atividade turística.
Ela também direcionou críticas ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
“Cadê o Ipaam? Cadê o Ibama? Cadê a Sema, que não multa ninguém, que não vem fazer uma fiscalização, que não vem dar apoio para a gente aqui?”, questionou.
Cobrança de taxas geram revolta
Outro ponto levantado por Diana é a cobrança de taxas de entrada na reserva, mesmo diante das condições ambientais que, segundo ela, prejudicam a experiência dos visitantes e colocam em risco a atividade turística.
“Vale a pena estar cobrando taxa de entrada dentro da reserva? Para que o turista vai pagar uma taxa absurda para estar aqui dentro e passar mal? O que está sendo preservado aqui?”, questionou.
A moradora destacou que os empreendedores da comunidade Rio Abacate trabalham para preservar os recursos naturais e manter o turismo sustentável, mas acabam sofrendo as consequências das queimadas provocadas por terceiros.
“Aqui dentro do Abacate a gente trabalha, a gente preserva, a gente luta. Aqui ninguém taca fogo, aqui ninguém faz matança de peixe, mas nós estamos sofrendo as consequências junto com esses irresponsáveis que estão acabando com tudo”, afirmou.
Para Diana, a combinação da seca do rio com a fumaça representa uma ameaça à sobrevivência das comunidades que dependem da pesca sustentável, da hospedagem e da visitação turística.

“Tenho vergonha de dizer que moro dentro de uma reserva”
Em um dos momentos mais contundentes do desabafo, Diana demonstrou indignação com o que considera abandono da região por parte das autoridades. Ela afirmou que os moradores que seguem as regras ambientais acabam penalizados pela falta de fiscalização sobre aqueles que desrespeitam a legislação.
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A moradora também criticou representantes políticos que, segundo ela, aparecem nas comunidades com promessas, mas não apresentam soluções para os problemas enfrentados pela população.
“Quem quiser se dar bem aqui dentro que faça a sua parte, que preserve. Eu me sinto envergonhada de dizer que moro dentro de uma reserva”, declarou.
A denúncia expõe a preocupação dos moradores com o futuro da RDS Uatumã, uma região que tem no patrimônio ambiental e no turismo de natureza importantes fontes de renda.
Enquanto a fumaça continua prejudicando a rotina das comunidades, Diana cobra ações urgentes de fiscalização, combate às queimadas e responsabilização dos envolvidos.
Nota
O Núcleo de Jornalismo Investigativo do Portal do Alex Braga entrou em contato com a Prefeitura de São Sebastião do Uatumã para saber quais medidas estão sendo adotadas pela gestão do prefeito Jander Barreto diante das denúncias sobre as queimadas e os impactos da fumaça na saúde da população e no turismo local. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

