Quase R$ 1 milhão em dinheiro vivo, mais moeda estrangeira, 21 veículos e objetos de valor foram encontrados pela Polícia Federal durante uma operação que atingiu diretamente o núcleo político formado pelo deputado federal Adail Filho e seu pai, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro. A quantidade de dinheiro apreendida, por si só, não prova crime, mas ajuda a dimensionar a gravidade das suspeitas que levaram o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) e colocaram a administração municipal de Coari na mira da PF.
A Operação Dinastia do Lago, deflagrada na quarta-feira (16), investiga possíveis fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro relacionados à gestão municipal de Coari. Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros para direcionar contratos, movimentar recursos e ocultar a origem ou os destinatários dos valores.
O dado que mais chama atenção é o volume de dinheiro encontrado em espécie. Foram apreendidos R$ 990.500, sendo R$ 637.750 em Coari e R$ 352.750 em Manaus. No endereço da capital também foram encontrados US$ 10 mil e € 1.255. A operação ainda resultou na apreensão de 21 veículos e de objetos como relógios e joias.
O começo da investigação
A investigação não nasceu com a operação de quarta-feira. Segundo a própria Polícia Federal, o caso começou depois que três empresários foram presos em flagrante, em maio de 2025, transportando aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília. A análise posterior de documentos e dispositivos eletrônicos teria levado os investigadores a identificar possíveis conexões com contratos da Prefeitura de Coari.
Ou seja, o quase R$ 1 milhão encontrado agora não aparece isoladamente dentro da investigação. Ele se soma a uma apuração que já vinha acompanhando movimentações financeiras e possíveis relações entre empresas e contratos públicos.
A PF afirma investigar se empresas contratadas pelo município teriam sido utilizadas em um mecanismo envolvendo direcionamento de licitações, desvios e pagamentos de vantagens indevidas.
Pai afastado, filho investigado
O deputado federal Adail Filho foi alvo de mandado de busca e apreensão e permanece no exercício do mandato parlamentar. Seu pai, Adail Pinheiro, teve o afastamento da Prefeitura de Coari determinado no âmbito das medidas autorizadas pelo STF. Ao todo, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari.
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A defesa dos dois afirma que recebeu as medidas com surpresa, considera o afastamento do prefeito desnecessário e sustenta que as diligências não representam comprovação de culpa. Os advogados também afirmam que os investigados não têm relação com os fatos que deram origem ao inquérito e que pretendem adotar as medidas cabíveis após analisar o conteúdo da investigação.
O que precisa ser explicado
O tamanho da apreensão chama atenção, mas o verdadeiro teste para Adail Filho e Adail Pinheiro será documental.
Será necessário esclarecer, entre outros pontos, a origem dos R$ 990.500, dos dólares e dos euros encontrados; a propriedade e a origem dos 21 veículos; a procedência dos relógios e joias; e eventual relação entre os bens e as empresas ou contratos sob investigação.
Também será preciso esclarecer se houve efetivamente direcionamento de licitações e se recursos públicos foram desviados ou utilizados para finalidades ilícitas.
Por enquanto, porém, a palavra-chave é investigação.
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