A partir de hoje, você vai ler uma série Operação Vertex, a investigação que cita o senador Omar Aziz (PSD) e a forma como ele apareceu ao longo das investigações que atingiram sua esposa, irmãos, empresas e pessoas ligadas ao seu núcleo familiar.
Nas outras reportagens, a série mostrará a prisão temporária da ex-primeira-dama Nejmi Aziz, o bloqueio de aproximadamente R$ 92,5 milhões em bens e contas bancárias determinados pela Justiça Federal e a prisão dos irmãos Amin, Murad e Mansur Aziz durante a operação deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2019.
Embora Omar Aziz não tenha sido preso nem denunciado na fase da Operação Vertex, seu nome aparece em diferentes documentos, relatórios e decisões produzidos ao longo das investigações que se originaram na Operação Maus Caminhos, uma das maiores apurações sobre supostos desvios de recursos públicos da saúde no Amazonas.
Como Omar Aziz aparece na investigação
De acordo com relatórios da Polícia Federal e manifestações do Ministério Público Federal, as investigações buscaram identificar não apenas operadores financeiros e empresários ligados aos contratos investigados, mas também possíveis conexões políticas e administrativas relacionadas à gestão da saúde pública estadual.
Em mensagens analisadas pela Polícia Federal durante a Operação Vertex, investigadores registraram referências ao codinome “Alfa”, que, segundo a interpretação dos órgãos de investigação, seria uma referência ao senador Omar Aziz.
As apurações também analisaram movimentações financeiras, contratos empresariais, relações societárias e vínculos familiares envolvendo pessoas próximas ao senador, especialmente dentro do núcleo que foi alcançado pelas medidas judiciais determinadas em 2019.
Ao longo das investigações, porém, Omar Aziz sempre negou qualquer participação em irregularidades e afirmou não possuir envolvimento com os fatos atribuídos pelos investigadores aos demais investigados.
A disputa judicial envolvendo os bloqueios
Mesmo sem figurar como denunciado na Operação Vertex, Omar Aziz integrou o grupo de recorrentes que questionou judicialmente as medidas patrimoniais determinadas durante a investigação.
A Apelação Criminal nº 1016787-61.2019.4.01.3200 foi apresentada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) contra decisões que determinaram bloqueios de bens, contas bancárias e outros ativos vinculados aos investigados.
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Além de Omar José Abdel Aziz, também figuraram no recurso Nejmi Jomaa Abdel Aziz, Amin Abdel Aziz Neto, Johara Jomaa Abdel Aziz e empresas ligadas ao grupo familiar, entre elas ENE Empreendimentos e Participações Ltda., JEEN Empreendimentos e Participações Ltda. e Y.A. Empreendimentos e Participações Ltda.
Nos recursos, os recorrentes sustentaram que houve excesso nos bloqueios patrimoniais, ausência de individualização das condutas investigadas e prolongamento indevido das medidas cautelares.
O processo ainda não desapareceu
Embora a Operação Vertex tenha sido deflagrada em 2019, parte das discussões judiciais iniciadas naquele período ainda não foi definitivamente encerrada.
Um dos principais exemplos é a Apelação Criminal nº 1016787-61.2019.4.01.3200, apresentada por integrantes da família Aziz e empresas ligadas ao grupo familiar para contestar os bloqueios patrimoniais determinados pela Justiça Federal.
Entre os recorrentes estavam Omar José Abdel Aziz, Nejmi Jomaa Abdel Aziz, Amin Abdel Aziz Neto, Johara Jomaa Abdel Aziz, além das empresas ENE Empreendimentos e Participações Ltda., JEEN Empreendimentos e Participações Ltda. e Y.A. Empreendimentos e Participações Ltda.
O recurso teve origem no procedimento nº 0008297-67.2019.4.01.3200, instaurado justamente no contexto da Operação Vertex.
Durante sua tramitação, o processo passou por sucessivas redistribuições dentro do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), envolvendo debates sobre prevenção, competência e reorganização interna das turmas julgadoras.
Em 2025, uma decisão da desembargadora federal Solange Salgado da Silva concluiu que os recursos relacionados à Operação Vertex não deveriam continuar tramitando na Justiça Federal, determinando a remessa dos autos para a Justiça Estadual do Amazonas.
Posteriormente, os autos foram devolvidos ao juízo de origem após o julgamento do recurso no TRF-1, encerrando a fase de tramitação no tribunal federal e permitindo o prosseguimento das medidas processuais cabíveis na instância competente.
Na prática, isso significa que parte das discussões judiciais decorrentes da Operação Vertex continua produzindo efeitos e ainda depende de definições do Poder Judiciário.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga procurou o senador Omar Aziz para falar sobre o caso, bem como o MPF, mas até a publicação desta reportagem não obtivemos respostas.
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