Uma paciente denuncia uma espera de mais de 40 dias por uma cirurgia ortopédica no Hospital Geral de Roraima (HGR) e cobra providências do Governo de Roraima, atualmente sob gestão interina de Soldado Sampaio. O caso envolve uma fratura no joelho, rompimento completo do ligamento cruzado anterior (LCA) e lesão no menisco, segundo exames apresentados pela paciente.
Letícia Alves Ferreira afirma que sofreu um acidente de motocicleta no dia 26 de junho e precisou ser levada ao HGR por terceiros. Segundo seu relato, após chegar à unidade, foi submetida a um exame de raio-X, mas recebeu alta depois que a fratura não teria sido identificada.
A paciente conta que, nos dias seguintes, continuou sentindo fortes dores e permaneceu com dificuldade para caminhar. Diante da falta de melhora, decidiu pagar por uma ressonância magnética em uma clínica particular. O exame, segundo ela, identificou uma fratura, além do rompimento completo do ligamento cruzado anterior e uma lesão no menisco.
Mesmo com o novo diagnóstico, Letícia afirma que ainda não conseguiu realizar a cirurgia e permanece aguardando atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Eu não consigo andar”
Em um vídeo, a paciente relata a sequência de acontecimentos e afirma que a demora tem provocado impactos não apenas físicos, mas também emocionais e financeiros.
“Eu sofri um acidente no dia 26 de junho de moto. Ligaram para o Samu, e não tinha Samu para me buscar. Estranhos me ajudaram na rua, me colocaram no carro de um estranho que me levou ao HGR. Fizeram raio-X, que não aparecia nada. Tem uma fratura que não aparece bem no raio-X, mas o que apareceu foi na ressonância que eu paguei no particular, porque, se eu fosse esperar, ia demorar.”
Na sequência do relato, Letícia afirma que, no primeiro atendimento, recebeu a orientação de que se recuperaria em poucos dias.
“Lá no HGR falaram que eu ia me recuperar em cinco dias. Não me recuperei e nem consegui andar. Passaram dipirona, mas 12 dias depois fui lá de novo para falar que não conseguia andar ainda. Disseram para fazer outro raio-X e mandaram eu ir para casa.”
Segundo a paciente, foi somente após a realização da ressonância particular que as lesões foram identificadas.
“Na ressonância que eu fiz no particular foi detectada essa fratura e o rompimento completo do ligamento do meu joelho. Eu tive um pequeno derrame articular, e isso me impossibilita de andar. E agora estou na fila do SUS, e isso abala meu psicológico.”
Mais de um mês sem conseguir trabalhar
A situação, segundo Letícia, ultrapassa a questão médica. Sem conseguir caminhar normalmente, ela afirma estar impossibilitada de trabalhar e relata dificuldades para manter sua rotina e contribuir com as despesas da família.
O caso também levanta questionamentos sobre o tempo de espera por procedimentos ortopédicos na rede pública e sobre o acompanhamento oferecido a pacientes que continuam apresentando sintomas mesmo após uma primeira avaliação.
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A cobrança é direcionada à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e ao governador Soldado Sampaio, que assumiu interinamente o comando do Executivo estadual após a saída do então governador Edilson Damião.
A denúncia coloca em evidência um dos pontos mais sensíveis da administração pública: o acesso efetivo à saúde. Para quem está do outro lado da fila, dezenas de dias de espera podem representar não apenas um número em um sistema, mas dor, perda de renda, dificuldade de locomoção e agravamento da ansiedade diante da incerteza sobre quando o tratamento será realizado.
No caso de Letícia, a principal reivindicação é que o Governo de Roraima reavalie a situação e providencie, com urgência, o atendimento necessário para que ela possa realizar a cirurgia indicada e retomar sua mobilidade e sua rotina.
Até o momento, o relato apresentado pela paciente representa uma denúncia individual e não permite, por si só, concluir que houve erro médico ou negligência por parte do HGR. A situação, entretanto, merece esclarecimentos por parte da Sesau e do Governo de Roraima, especialmente sobre o diagnóstico inicial, a inclusão da paciente na fila do SUS, a previsão para a cirurgia e as medidas adotadas para garantir o acompanhamento do caso.
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