Segunda-feira, 8 Junho

O envio de R$ 18,4 milhões em recursos federais pelo deputado federal Adail Filho para o município de Coari durante o ano eleitoral de 2024 tem gerado questionamentos sobre os critérios adotados na destinação das emendas parlamentares. Os recursos foram encaminhados à prefeitura comandada por seu pai, Adail Pinheiro, por meio das chamadas Emendas Pix, modalidade que permite a transferência direta de verbas da União aos municípios.

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Dados da Central das Emendas e do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) apontam que o parlamentar destinou ao menos R$ 18,4 milhões para Coari ao longo de 2024. Todo o montante foi liberado ainda durante o período eleitoral, ano em que Adail Pinheiro disputou e venceu a eleição para a Prefeitura do município.

Os repasses começaram a ser pagos em julho de 2024, período que coincide com o início das convenções partidárias e a intensificação das campanhas eleitorais em todo o país. Entre os valores destinados, um único repasse ultrapassou R$ 13 milhões para investimentos, enquanto outros R$ 5,4 milhões foram encaminhados para custeio e manutenção de serviços da administração municipal.

As primeiras emendas pix foram liberadas em julho de 2024.

Concentração dos recursos chama atenção

Embora a destinação de emendas parlamentares seja uma atribuição legal dos congressistas, a concentração de recursos em um único município administrado por um familiar do autor das emendas tem levantado questionamentos no campo político e administrativo.

Especialistas em gestão pública costumam destacar que situações envolvendo relações familiares entre parlamentares e gestores beneficiados podem gerar debates sobre princípios como impessoalidade, transparência e moralidade administrativa, ainda que a prática não seja necessariamente ilegal.

Outro aspecto que amplia a discussão é o uso da modalidade Transferência Especial, conhecida popularmente como Emenda Pix. O mecanismo permite que os recursos sejam depositados diretamente nas contas das prefeituras, dispensando algumas etapas burocráticas exigidas em convênios tradicionais e reduzindo o detalhamento prévio sobre a aplicação dos recursos.

Ano eleitoral intensifica questionamentos

A coincidência entre os repasses milionários e o calendário eleitoral também tem chamado atenção de observadores políticos. Enquanto diversos municípios amazonenses receberam recursos distribuídos em valores menores ou divididos entre diferentes localidades, Coari concentrou sozinho R$ 18,4 milhões oriundos do gabinete de Adail Filho.

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Para o cientista político Helso Ribeiro, não há impedimento legal para que um parlamentar concentre suas emendas em um único município, mas a estratégia pode gerar questionamentos no campo político.

“Deputado destinar 100% de emenda para um só município legalmente não tem nenhum problema. Eu diria que estrategicamente para esse deputado não sei se seria mais interessante, principalmente em ano eleitoral”, afirmou.

A declaração evidencia que o debate não está necessariamente na legalidade da destinação dos recursos, mas nos impactos políticos e na percepção pública sobre a concentração de verbas federais em uma cidade governada por um parente direto do parlamentar responsável pelos repasses.

Transparência e fiscalização

A utilização das Emendas Pix tem sido alvo de discussões em todo o país devido à necessidade de maior transparência sobre a aplicação dos recursos públicos. Órgãos de controle e entidades de fiscalização defendem mecanismos que permitam rastrear de forma mais detalhada a destinação e execução das verbas transferidas diretamente aos municípios.

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