Segunda-feira, 25 Maio

Enquanto moradores do Ramal do 17, no KM 17, que liga o município de Manacapuru a Novo Airão, enfrentam lama, alagamentos e dificuldades para sair de casa, a prefeita Valciléia Maciel (MDB) segue gastando milhões em contratos de pavimentação com uma única empresa “queridinha”. Somente este ano, a prefeita homologou um contrato de R$ 2,9 milhões para obras de asfalto na comunidade Betão, na zona urbana, enquanto comunidades rurais somem nas águas e na lama.

O novo contrato foi firmado com a empresa HBT Arquitetura e Engenharia Ltda, inscrita no CNPJ nº 15.631.381/0001-84, vencedora da Concorrência Eletrônica nº 001/2026. O acordo prevê “pavimentação de vias públicas no perímetro urbano do município de Manacapuru/AM, localizado na comunidade Betão”, ao custo global de R$ 2.901.582,21.

A empresa, considerada nos bastidores como “queridinha” da atual gestão, pertence ao ex-secretário municipal de Obras de Manacapuru, André Telles, nome que já ocupou cargo estratégico dentro da própria administração municipal e que agora aparece ligado a contratos milionários de pavimentação firmados pela prefeitura.

O extrato do Contrato nº 005/2026 foi assinado em 10 de março deste ano pela prefeita Valciléia Maciel, com recursos oriundos do Convênio nº 951020/2023, vinculado ao Ministério das Cidades. A obra possui vigência até julho de 2026 e será fiscalizada pelo engenheiro civil Raimundo Nonato de Oliveira Torres.

Ramal sumiu nas águas

Enquanto isso, a realidade enfrentada por moradores da zona rural é completamente diferente.

No Ramal do 17, no km 17 de Manacapuru, moradores relatam que a estrada praticamente desapareceu sob a água. O que antes já era um trajeto difícil, agora virou um cenário de abandono.

“A prefeita Valciléia Maciel já veio nesse ramal, prometeu fazer a manutenção, mas tomou Doril e sumiu”, afirmou o morador Juliano Costa em publicação nas redes sociais.

Nos comentários, a revolta é geral.

“Só sabem quem passa por aí todos os dias”, comentou um internauta.

“Não é só o 17 não, alguns ramais precisam de uma boa estrutura”, escreveu outro morador.

“Minha Manacapuru cheia de vergonha”, disse outro usuário.

“A desculpa sempre foi a chuva, e no verão não fazem dizendo não ter material e nem maquinário. Aí fica difícil”, criticou outro comentário.

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Empresa queridinha

Além do novo contrato milionário, documentos oficiais mostram que a mesma empresa, HBT Arquitetura e Engenharia Ltda, aparece repetidamente em diversos contratos e termos aditivos ligados à pavimentação no município.

Entre eles está o Contrato nº 032/2024, referente à pavimentação em vicinais rurais no Ramal do Arapapá, localizado na AM-070, km 55, no Ramal Bela Vista. O contrato recebeu um segundo termo aditivo em abril de 2026, prorrogando a obra por mais 270 dias, com nova vigência até janeiro de 2027. O convênio utilizado é o nº 943845/2023, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.

Outro caso é o Contrato nº 034/2024, referente à pavimentação no Ramal do Japonês, na AM-352, km 07. O contrato recebeu o quarto termo aditivo em março de 2026, ampliando o prazo por mais 120 dias. A nova vigência vai até julho deste ano. A obra é vinculada ao Convênio nº 944008/2023.

Há ainda o Contrato nº 002/2024, também executado pela HBT, para “pavimentação no município de Manacapuru”. O acordo recebeu o quarto termo aditivo em dezembro de 2025, prorrogando a execução por mais 180 dias. Neste caso, o contrato segue baseado na antiga Lei nº 8.666/93.

Embora os contratos sejam oficialmente diferentes, com objetos, convênios e locais distintos, o que chama atenção é a repetição da mesma empresa em várias obras simultaneamente, todas ligadas à pavimentação, além da sequência de aditivos prorrogando prazos.

NOTA

O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga tentou contato com a Prefeitura de Manacapuru e com a empresa HBT, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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