Moradores do município de Tapauá, no interior do Amazonas, denunciam nas redes sociais a situação do Hospital Ana Tereza Ponciano, apontando precariedade na estrutura, falhas no atendimento e até presença de ratos. As reclamações surgem ao mesmo tempo em que dados oficiais do Portal da Transparência da Controladoria-Geral de União (CGU) mostram que a gestão do prefeito Gamaliel Andrade (União) recebeu mais de R$ 8,1 milhões em recursos federais para a saúde apenas entre janeiro e abril de 2026.
As denúncias divulgadas por pacientes e acompanhantes relatam uma série de problemas dentro da unidade hospitalar. Entre eles, estão macas com rodinhas quebradas, banheiros com portas danificadas e falta de manutenção em áreas essenciais do hospital. Em vídeos compartilhados por moradores nas redes sociais, também são feitas alegações sobre a presença de ratos circulando dentro da unidade de saúde, situação que gerou forte repercussão e indignação na cidade.
Além das questões estruturais, um caso específico relatado por um pai ganhou destaque e ampliou as críticas ao atendimento prestado. Segundo ele, sua filha não teria sido atendida por um médico plantonista durante a madrugada. No relato divulgado nas redes sociais, o pai afirma que a criança estava com dores e chorando, mas o profissional teria se recusado a prestar atendimento sob a justificativa de que estava em horário de descanso e que não poderia ser exigido fora do plantão. Ele afirma ainda que foi orientado apenas a administrar ibuprofeno e que o atendimento só ocorreria em casos considerados mais graves.
“São meia-noite e 35 minutos, chegamos no hospital e o médico não quis atender minha filha. Ele disse que era hora de descanso e que não existe trabalho escravo. Minha filha estava com dor, chorando muito, e ele disse que só atenderia se fosse algo mais grave”, relatou o pai.
Repercussão nas redes sociais
O caso rapidamente se espalhou entre moradores e gerou forte repercussão nas redes sociais, com críticas ao funcionamento do sistema de urgência e emergência no município e à forma como os plantões médicos estariam sendo conduzidos.
Diante das denúncias, internautas também passaram a comentar a situação da saúde pública em Tapauá, afirmando que os problemas não seriam recentes. Muitos moradores relatam que a precariedade no atendimento e na estrutura das unidades de saúde é uma realidade antiga no município.
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“Que tristeza ver a saúde em Tapauá desse jeito, isso não é de hoje”, escreveu um morador.
Outro comentou: “Se fosse parente do prefeito, seria atendido na hora. Muito triste isso.”
Cadê o dinheiro da saúde?
Enquanto as denúncias ganham força nas redes sociais, dados oficiais do governo federal mostram que o município de Tapauá recebeu mais de R$ 8,1 milhões em recursos destinados à saúde apenas entre janeiro e abril de 2026. Os valores são repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao Fundo Municipal de Saúde e fazem parte da gestão da saúde pública municipal.
Desse total, R$ 6.984.832,28 foram destinados ao Piso da Atenção Primária à Saúde, responsável pelo financiamento de unidades básicas, equipes de saúde da família, atendimentos preventivos e serviços de atenção básica. Os repasses ocorreram mensalmente, com R$ 458.439,76 em janeiro, R$ 3.495.752,00 em fevereiro, R$ 521.578,26 em março e R$ 2.509.062,26 em abril.
Já o Teto de Média e Alta Complexidade (MAC), voltado a atendimentos hospitalares, exames especializados e procedimentos de maior complexidade, somou R$ 1.119.176,48 no mesmo período, com repasses mensais de R$ 279.794,12.
Somados, os valores destinados à saúde de Tapauá no primeiro quadrimestre de 2026 chegam a R$ 8.104.008,76.
Os recursos são transferidos diretamente ao Fundo Municipal de Saúde e devem ser aplicados na manutenção da rede pública, incluindo estrutura hospitalar, contratação de profissionais, aquisição de insumos e custeio de serviços. No entanto, as denúncias feitas por moradores levantam questionamentos sobre a aplicação desses recursos e a qualidade da prestação dos serviços de saúde no município.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura para falar sobre a situação, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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