O município de Itamarati, no Amazonas, vive um cenário de forte cobrança na área da saúde pública. Moradores denunciam a precariedade na emergência do Hospital Antônio de Souza Brito, apontando problemas estruturais, falta de manutenção e condições inadequadas de higiene dentro da unidade. A situação ganha ainda mais peso diante dos dados oficiais do Fundo Nacional de Saúde, que mostram que o município já recebeu R$ 5.108.704,46 em repasses para a saúde apenas entre janeiro e maio de 2026, durante a gestão do prefeito João Campelo (MDB).
As denúncias relatam que, mesmo com recursos destinados à manutenção da rede pública de saúde, a realidade enfrentada por pacientes e servidores seria marcada por banheiros em más condições, estruturas deterioradas e sinais visíveis de abandono em áreas da emergência. Imagens e relatos feitos por usuários apontam vasos sanitários sem tampa, caixas acopladas abertas, pias com sifão danificado, além de lençóis rasgados utilizados nos leitos. Também são citados problemas como infiltrações, umidade e falta de conservação em diferentes pontos da unidade.
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Segundo os moradores, a situação não seria recente. Há registros de reclamações anteriores envolvendo vazamentos de ar-condicionado dentro da emergência, com o uso de bacias para conter a água, além de paredes com sinais de mofo e deterioração.
Cadê os milhões da saúde?
Enquanto isso, os dados oficiais do Fundo Nacional de Saúde mostram que o município de Itamarati, com população estimada em pouco mais de 11 mil habitantes, recebeu valores significativos ao longo de 2026. Apenas no período de janeiro a maio, os repasses somaram mais de cinco milhões de reais, distribuídos entre diferentes áreas da saúde pública, como atenção básica, média e alta complexidade, vigilância em saúde, assistência farmacêutica e pagamento de profissionais do SUS.
Entre os principais valores recebidos estão recursos destinados à atenção primária, equipes de saúde da família, agentes comunitários de saúde, vigilância epidemiológica e complemento do piso da enfermagem.
NOTA
O Núcleo de reportagem investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com a prefeitura de Itamarati para falar sobre a situação, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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