Quinta-feira, 25 Julho

As ministras do Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva e do Ministério dos Povos Indígenas, Sonya Guajajara, repreenderam o govenador de Roraima, Antonio Denairum, pelas lei e ações do governo que procuram sustentar o garimpo ilegal na região. Elas comandaram uma comitiva interministerial que esteve no território Yanomami, após um indígena ser morto por garimpeiros.

Conforme matéria publicada no site UOL, Sonya Guajajara disse que o estado de Roraima não pode insistir em incentivar a permanência dos garimpeiros nem ter como atividade econômica principal, uma atividade ilícita.

“É isso que Roraima precisa entender, e o governador precisa entender. Não pode fomentar atividade ilícita porque alguém vai pagar por isso. Se há ainda uma articulação, uma conivência, como o outro (repórter] falou de estar tentando legalizar, ele [Antônio Denarium] está incentivando. Esses garimpeiros acreditam que o governador vai poder permitir a permanência deles lá”, disse a ministra.

Marina Silva reforçou e disse que os financiadores do garimpo precisam ser responsabilizados.

“Nós temos uma situação em que a PF está trabalhando em duas frentes. A frente das investigações de inteligência, e essas os resultados de quem está envolvido, quem facilita, quem cria mecanismos, vai ser feito de forma isenta, sem poupar nem A, nem B”, reforçou a ministra do Meio Ambiente ao UOL.

Denarium e o garimpo

  • A família do governador de Roraima Antônio Denarium é investigada por envolvimento no garimpo ilegal praticado no estado. A irmã do governador, Vanda Garcia de Almeida e o sobrinho, Fabrício de Souza Almeida, foram alvos de uma operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro oriundo do comércio de ouro ilegal em fevereiro deste ano.

O grupo criminoso usava empresas de fachada para lavar dinheiro da compra e venda de ouro extraído ilegalmente na região de garimpo nas terras Yanomami.

  • Outra suposta ligação de Denarium com a garimpagem, diz respeito ao empresário do ramo de diamantes, Adelcimar Pereira Bastos. O empresário no endereço onde está situada uma das fazendas que pertencem ao governador, a Fazenda J. Bastos. O nome dele e da esposa Kátia Gonçalves da Silva Bastos são citados na operação Exodus de 2006, que apurou um esquema de lavagem de dinheiro, contrabando de diamantes, sonegação fiscal e improbidade administrativa em 2010.
  • Uma denúncia realizada à PF envolvendo o nome de Denarium, informa sobre o pedido de apoio uma empresária conhecida como Silvana, do município de Alto Alegre, para o governador. Ela teria solicitado a transferência de dois policiais militares que suspostamente estaria atrapalhando negócios envolvidos com garimpo da região.
  • Conforme a A 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de Roraima, um avião de propriedade da empresa D’Goold Empreendimentos, que pertence ao empresário Paulo Souza, teria sido apreendido ilegalmente por Denarium para facilitar o garimpo ilegal, comprovando supostos “laços de garimpagem”.

Denarium chegou a sancionar, em julho de 2022, uma lei que protegia o patrimônio de garimpeiros ilegais, proibindo a destruição das máquinas apreendidas. Mas, três meses depois, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a legislação por inconstitucionalidade.